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A escolha certa na hora incerta, com Alexandre Santos

A ESCOLHA CERTA, NA HORA INCERTA

Uma matéria num jornal foi decisiva para a mudança radical entre deixar a indústria petroquímica e começar em uma nova profissão a frente de uma bancada. Dedicação e persistência faz parte da vida deste jovem TPD, que ainda busca novas formas de se reinventar e motivar sua equipe com o que tem de melhor. Confira a trajetória de Alexandre Santos.

>> Essa entrevista completa você encontra na revista APDESP Informa desta edição (202). Caso ainda não seja assinante, conheça os plano de assinatura aqui: http://bit.ly/RevistaApdespInforma <<

Como tudo começou…

Antes de ser técnico dental fez muitas coisas, até office boy de alfaiataria. Formado em mecânica geral pelo Senac SP, ferramentaria e técnico em química, também trabalhou em buffet infantil e vendeu artesanato em barraca no Paço Municipal de Santo André/SP. “O que precisar fazemos” (risos). Já com 26 anos queria uma profissão que lhe desse liberdade, então no Jornal da Folha de SP, estava o anúncio das 10 profissões do futuro e a prótese dental era uma delas. Por ser um trabalho totalmente manual se interessou, e então obteve uma boa referência do Senac através de um primo de sua esposa (Francisco Sabor), mas antes de se inscrever, passou seis meses indo todos os dias ao laboratório dele para acompanhar como era a dinâmica dos trabalhos, passava todas as tardes no laboratório para conhecer e entender o trabalho.

“Me recordo no final do curso quando fui agraciado pelo eterno professor Oshiro “Sam”, grande mestre que assim que soube de vagas na empresa Ivoclar Vivadent prontamente me indicou. Então fui contratado pelo Herbert Mendes (a quem devo muito, pois foi a primeira pessoa que acreditou no meu potencial, quando eu mesmo não acreditava). A partir daí fui apresentado por ele a grandes mestres, que me ensinaram (literalmente) a arte da prótese dental. Vou citar exemplos somente, claro que não conseguirei colocar todos, pois ocuparia toda a revista, mas posso citar os do Início (1999). Luiz Alves Ferreira, Dr. Paulo Kano, José Carlos Romanini (Roma), Hilton Riquieri, Dr. Sergio Lian, José Carlos Maraguelo, Fausto Merson, José Vagner Ferreira, Renata Trevi, Maurício Visconte, Dr. Sidney Kina, Dr. Jurgen, Dr. Adauto de Freitas (que tenho enorme saudade), Dr. Laerte Schenkel, olha são tantos que me ajudaram e me ajudam que estou até com receio desta lista (os que não coloquei se considerem dentro dela). Olha contando com estes professores logo de início, acho que tive um bom começo.”

“Meu início na Ivoclar foi desafiador, pois não sabia nada de nada, mas Deus colocou estes amigos que citei acima no meu caminho e a perseverança do Herbert Mendes em acreditar no meu potencial, e isso foi me norteando, a equipe Ivoclar Vivadent é maravilhosa, é só acompanhar e ver como ela cresceu e continua crescendo no Brasil, sendo considerada uma das melhores filiais do mundo, aprendi muito lá. Agradeço a toda equipe Ivoclar Vivadent pelo carinho de sempre. Saindo da Ivoclar fui para Igrejinha/RS, trabalhar com o Dr. Laerte Schenkel (grande dentista e ceramista), lá aprendi muito, pois via meus casos na boca dos pacientes (ai que vergonha!), foi uma época de aprendizado constante, pois o Dr. Laerte é um “comedor de livros e artigos” sempre se atualizando, é difícil acompanhar o homem. Por um fato muito triste que aconteceu com nosso primeiro filho (que não vem ao caso entristecer vocês), retornamos a SP eu e minha esposa Renata. Lá fui acolhido pelo Luiz Alves Ferreira que me cedeu uma bancada em seu laboratório para que eu pudesse fazer meus casos em suas dependências até que meu laboratório na garagem de casa ficasse pronto foram seis meses (fez o que só um GRANDE AMIGO FARIA, lágrimas). Tive a honra de depois de um tempo ser chamado pelo Murilo para trilhar uma parte do caminho juntos. Sobre o Murilo Calgaro o que falar, aprendemos muito e hoje creio que estamos colhendo frutos dos nossos trabalhos, foi uma época ímpar para mim, pois fui colocado para gerenciar uma equipe isso me fez apanhar e aprender muito (continuo aprendendo). A minha experiência sempre foi trabalhar com uma única pessoa. Somos amigos com pretensões e sonhos diferentes. Um cara espetacular.”

APDESP Informa: O seu atual laboratório é fruto de um sonho?

Alexandre Santos: Na realidade não foi um sonho e sim uma consequência de trabalho, porém hoje não me vejo fazendo outra coisa (só se precisar claro!). Eu procurei a prótese por ter a liberdade de trabalhar em lugares diferentes e não como uma indústria específica que tem polos localizados. E também porque gosto de trabalhos que utilizam habilidades manuais.

Hoje no Studio Art Dental somos em 20 colaboradores no total:

3 – Cerâmica estratificada

3 – Cad Cam

3 – Planejamento inicial (gesso) e impressões de modelos

2 – Enceramento, provisórios e desenhos em 3D

2 – e-max maquiados, estruturas metálicas

2 – Escritório, gerência financeira e controle dos trabalhos

1 – Recepção e entrada dos trabalhos

1 – Gerente de produção

1 – Colaboradora que cuida do nosso bem-estar deixando o laboratório bem arrumadinho

1 – O melhor motoboy de Curitiba

1 – E eu

Em resumo, o mais importante deste laboratório que Deus me deixou cuidar, são as pessoas que trabalham comigo. Não consigo fazer tudo o que quero em relação ao bem-estar e qualidade de vida, mas hoje estipulamos 01h30 de almoço, pois ficamos a 900m do parque Barigui (um cartão postal da cidade) e com este intervalo, muitos (quando o tempo está bom) vão caminhar no parque e outros aproveitam para ir na academia.

APDESP Informa: Alexandre, você acha importante investir na capacitação da equipe?

Alexandre Santos: Além da capacitação individual que eles buscam, eu tento incentivar ao máximo. Nós tivemos cursos exclusivos para nossa equipe com professores como: August Bruguera, Paulo Battistella, Silmar Kulka (Coaching), Rodrigo Colin (Finanças) e Dr. Milko Villlaroel falando sobre tipos de cimentação. Gosto sempre de trazer novidades para nós. Fizemos uma Sala voltada a capacitação da equipe e também para suprir algumas necessidades dos clientes em relação ao fluxo de trabalho do laboratório, já que percebo que poucos conhecem e com esta inovação do digital vi esta necessidade.

APDESP Informa: Por falar em digital, você pratica a odontologia digital? E como funciona?

Alexandre Santos: Bom, eu “tento” acompanhar a odontologia digital (não é fácil) mas sem esquecer os princípios que me trouxeram até aqui. Gosto muito desta evolução que “não para” de acontecer, todos os dias novidades, pois nos dá melhores condições e possibilidades de realizar nosso trabalho. Claro que nosso laboratório não é totalmente digital, (e acho que nunca será totalmente, kkkkkk). Isso não significa ser digital, mas creio que nossa primeira fresadora foi em 2010 e hoje estamos na terceira e também no quarto escâner (vendemos os antigos claro). Hoje estipulamos treinamentos todos os dias em planejamentos digitais, mas como disse, não posso esquecer os princípios. Acho que tomando por base o tamanho do país, sim estamos acanhados na odontologia digital (mas será que neste Brasilzão todos conseguirão?) hoje a porcentagem de clientes que trabalham conosco e tem escâner intra-oral chega a 10%, claro que com o aluguel de escâner e também alguns laboratórios adquirindo e “emprestando” este número vai crescer ao longo do tempo.

 

APDESP Informa: O problema da odontologia digital é a falta de conhecimento nos laboratórios e nas clínicas? São os custos? Ou um outro problema?

Alexandre Santos: Acho esta pergunta muito polêmica até porque para mim ainda falta muito conhecimento em relação à odontologia digital, assim como eu disse, estou tentando acompanhar, pois a evolução é rápida e a indústria pensa que fresadoras e impressoras, são smartphones (querem fazer você trocar todo ano) e fora o valor de softwares e suas “anuidades”. Com relação a custos não quero nem comentar (não pode falar de política na revista né?). Vejo que na venda dos equipamentos às empresas são como fadas madrinhas (realizadoras de sonhos). Se você diz que é dentista eles dizem “Dr.” se o senhor comprar (por exemplo) esta fresadora o sr. “nunca” mais vai precisar de um técnico para realizar seus trabalhos, fora a rapidez…

Se você diz que é técnico dental, então recebe a informação de que “nunca” mais vai precisar de colaboradores. (Enfim, sempre realizando nossos sonhos, kkkkkk). Porém na vida real se você é dentista e compra, das duas uma (não que isso seja ruim, cada um faz o que quer) ou você deixa de atender ou expande seu horário para “cuidar” da máquina, ou se você tem laboratório, ao invés de “dispensar” um colaborador, você acaba tendo que contratar dois (não que isso seja ruim, cada um faz o que quer).

 

APDESP Informa: E sobre as impressoras 3D, pontos positivos e negativos?

Alexandre Santos: Bem, não tenho conhecimento tão profundo sobre impressoras 3D, por isso é um ponto de vista somente meu (posso estar equivocado).

Positivo: poder realizar planejamentos em 3D e imprimir (sem sair de casa), poder realizar trabalhos de vários lugares do mundo também, pois o trabalho só vai. Fora esta tecnologia que quando comecei nem pensava nesta possibilidade. Outro fator é a variedade de materiais para impressão.

Negativo: falta de conhecimento (meu) para identificar qual a melhor (pensando em precisão) já que pela propaganda, tanto as de baixo custo, como de alto custo, prometem a mesma coisa (ao infinito e além). Mas vou aprendendo. Produzo poucos modelos, até porque ainda somente 10% de meus clientes tem escâner.

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APDESP Informa: Qual é o percentual de trabalhos em metalocerâmica e metal free? Você tem predileção por um ou outro?

Alexandre Santos: Hoje o percentual de metalocerâmica gira em torno de 10 a 15 %. Por incrível que pareça eu gosto de aplicar cerâmica sobre refratário, mas a equipe gosta muito de dissilicato de lítio e aplicações sobre zircônia, até porque com a tecnologia ficou muito mais fácil de realizar estes tipos de trabalhos. Claro fora os maquiados que são, muito bons de fazer.

 

APDESP Informa: Os laboratórios no estado do Paraná são unidos? Se sim ou não, quais as causas?

Alexandre Santos: Olha não vejo divisão nos Laboratórios do Paraná e hoje também vejo uma união maior nos laboratórios do Brasil, pois estou em alguns grupos de WhatsApp e quando surge alguma novidade ou uma técnica ou material novo ou até mesmo alguém tem uma dúvida, logo postam nos grupos, isso mostra uma mudança muito grande de comportamento, diferentes de histórias que ouvíamos, que quando entrava um técnico para visitar o laboratório, o dono escondia os casos na gaveta (KKKKKKK).

 

APDESP Informa: O que falta na nossa atividade para que a profissão seja mais completa?

Alexandre Santos: Bem não o que falta, nestes últimos 20 anos um trabalho muito intenso de formar parceiros técnicos e dentistas, é só olhar nos eventos da APDESPBR, sempre a dobradinha e isso é maravilhoso, mas agora com o advento da era digital (ponto de vista meu), estou participando de algumas palestras e fico decepcionado com alguns “profissionais” de nossa área que para exaltar seu “software” tem que falar mal do técnico dental dizendo que com esta nova tecnologia, qualquer técnico medíocre realizaria seus trabalhos. Mas o que vejo pelo menos na minha realidade e da minha equipe é que temos que aprender cada dia mais e mais, então onde entra este técnico medíocre que ouvi um “grande” palestrante “nacional” falar estes dias. Em resumo como disse um grande amigo meu com muitos anos de mocho e de aulas ministradas: hoje temos profissionais muitos experientes cheios de dúvidas e profissionais sem experiência com dúvida alguma……..

 

APDESP Informa: Anualmente, por mais de 10 anos ministra cursos em Portugal. Como surgiu esse convite e diga, nesse período, como sentiu a evolução técnica dos países? Tem uma média de quantos alunos participaram?

Alexandre Santos: Graças a Deus e a um convite em um SBOE em 2009 (por isso acho muito importante ir em congressos relevantes em nossa área) do meu amigo mineiro/português Pedro Murilo de Freitas tive a oportunidade (de ouro) de em 2010, mostrar como faço meu trabalho no Brasil. A prótese em Portugal, assim como no Brasil só vem evoluindo, com técnicos e técnicas de excelência, aprendo muito com meus amigos portugueses e também com os brasileiros que vivem lá. O Pedro Freitas foi e é um dos grandes responsáveis pela odontologia brasileira invadir Portugal. Alguns nomes como: Sidney Kina, Eurípedes Vedovato, Julio Joly, Robert, Paulo Fernando, Marcelo Calamita, Murilo Calgaro, Claudio Pinho, Sergio Pinho, Ertty Silva e muitos outros. Em Portugal tivemos em torno de 236 alunos nestes últimos oito anos, contando com o curso extensivo e também com um curso para dentistas que é anual, isso me possibilitou ministrar três cursos de anatomia dental e cerâmica em Barcelona com August Bruguera e também um treinamento interno em dois laboratórios um em Lisboa (Hitec) e outro em La Coruña no laboratório do Felix Bano. Sempre de dois em dois anos aproveito a ida para Portugal para conhecer as novidades e passar vontade no IDS na Alemanha.

 

APDESP Informa: Sendo sua esposa cirurgiã-dentista, você é flexível com ela ou vale as mesmas regras?

Alexandre Santos: Não, não sou muito flexível eu acho (kkk), é muito bom ter uma pessoa que sempre te leva a lugares mais altos quando você pensa que vai cair, uma pessoa que encontra flores no deserto e que vê alegria nas coisas mais simples que possam parecer. Está é Renata Bertoluci, também mãe excepcional! Meu muito Obrigado. Te amo.

Meu Filho Daniel Bertoluci Santos, um cara que carrega alegria onde vai e tem sempre uma palavra de ânimo, mesmo quando tudo parece ruim, gosta de todos os esportes (igual ao pai kkkkkkkk). Quando ele nasceu foi que eu descobri o amor incondicional.

 

(…) Leia a matéria completa na revista APDESP Informa desta edição (Ed.202). Caso ainda não seja assinante, conheça os plano de assinatura aqui: http://bit.ly/RevistaApdespInforma

 

 

 

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