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Biossegurança na odontologia: saiba como prevenir a infecção cruzada

A biossegurança envolve uma série de ações destinadas à prevenção e proteção de trabalhadores e pacientes, buscando reduzir riscos em atividades que possam afetar a saúde humana, animal e ambiental. Nesta matéria, veremos quais são os pontos que mais precisam de atenção e como utilizar esse conhecimento no dia a dia de laboratórios de próteses e clínicas odontológicas. Atente-se às normas da biossegurança na odontologia.

Apesar de esse já ser um assunto muito abordado, principalmente durante o período atual de pandemia, reforçar a necessidade do cuidado é fundamental. Afinal, caso não sejam controlados, os riscos biológicos podem gerar a infecção cruzada e afetar a saúde de todos os envolvidos.

A infecção cruzada é a transferência de contaminação causada pela falta de cuidados como esterilização e desinfecção de equipamentos e materiais. Seus efeitos podem proporcionar o aumento significativo do contágio de pacientes e profissionais, portanto, precisam ser analisados com atenção.

 

Veja abaixo como evitar a transmissão de agentes patógenos no uso do ambiente comum, segundo recomendações da ANVISA:

  • Exigir o uso de máscara e disponibilizar álcool em gel;
  • Verificar sintomas de covid-19 e medir temperatura;
  • Manter o ambiente ventilado;
  • Instalar divisórias entre profissionais para evitar a transmissão por aerossóis;
  • Manter o ambiente sempre limpo e higienizado.

Além disso, é importante evitar a infecção cruzada entre profissionais de laboratórios, clínicas odontológicas e a comunidade. Para isso, o ideal é adotar as seguintes medidas:

  • Desinfectar e/ou esterilizar os materiais compartilhados entre laboratórios e clínicas (veja a tabela abaixo);
  • Utilizar EPI para que os agentes patógenos não sejam transmitidos através das roupas e cabelos, por exemplo;
  • Atentar-se à desinfecção de equipamentos para revisão e reparo;
  • Manter as mãos limpas com água e sabão ou higienizadas com álcool 70%.

Os riscos nos diferentes fluxos de trabalho

Em laboratórios de prótese dentária, além da observação às recomendações em ambiente comum, os riscos também podem estar presentes no compartilhamento de materiais entre cirurgiões-dentistas e técnicos em prótese dentária. Portanto, é importante estar atento a todas as etapas do fluxo de trabalho e analisar a melhor forma de evitar a disseminação de patógenos em cada uma delas.

 

Gotículas e aerossóis oriundos de ambientes odontológicos são
um grande risco biológico, principalmente por se saber que existem
vírus que podem permanecer infecciosos em superfícies úmidas de
2 horas até 9 dias. (Conselho Federal de Odontologia)

Fluxo de trabalho convencional

Em um fluxo de trabalho convencional, onde a moldagem é analógica e transportada para o laboratório, os riscos biológicos podem ser ainda maiores. Por ser um trabalho extremamente manual, os materiais estão expostos à contaminação o tempo todo, vulnerabilizando laboratórios, pacientes e a comunidade.

Para evitar a disseminação de patologias entre esses grupos, o ideal é que os profissionais sigam alguns cuidados essenciais. Alguns deles, citamos abaixo:

  • Desinfecção e/ou esterilização de equipamentos, instrumentos e superfícies;
  • Desinfecção e/ou esterilização de materiais odontológicos;
  • Utilização correta de EPIs;
  • Descarte adequado de resíduos.

Veja esse documento publicado pela ANVISA para saber qual EPI é o ideal em cada tipo de atividade e interação.

Fluxo de trabalho semi ou totalmente digital

Já em fluxos de trabalho digitais, onde a confecção de próteses dentárias é feita parcial ou totalmente digitalizada, as ameaças costumam ser menores. Principalmente quando a transferência dos dados intraorais da clínica para o laboratório é feita digitalmente, a exposição a riscos é reduzida.

Portanto, podemos dizer que um fluxo de trabalho semi ou totalmente digital possui uma dinâmica essencial na preservação da biossegurança. De qualquer forma, ainda é fundamental que haja a desinfecção e/ou esterilização no ambiente de trabalho, em equipamentos e materiais, e a utilização devida dos EPIs.  

Para entender melhor como realizar a limpeza manual e esterilização de ponteiras de escaneamento, acesse o manual do CFO aqui.

 Os níveis de eficácia da desinfecção

O processo correto de higienização e desinfecção nos trabalhos protéticos depende do tipo de material utilizado. Tendo essa informação definida, é possível saber qual produto e tempo de imersão é o ideal para a remoção de agentes patogênicos. Além disso, é preciso estar atento aos níveis de eficácia da desinfecção, que diferencia-se da esterilização.

A esterilização é a eliminação completa de qualquer micro-organismo patogênico. Já a desinfecção é a eliminação de alguns desses micro-organismos. De acordo com o Conselho Federal de Odontologia (CFO), existem pelo menos três níveis de eficácia da desinfecção, são eles:

  1. Alto nível: efetua a extinção da maioria dos micro-organismos causadores de infecções, inclusive esporos.
  2. Nível intermediário: envolve a destruição de alguns micro-organismos, não incluindo esporos.
  3. Baixo nível: quando há pouca eliminação de micro-organismos patogênicos.

Como fazer uma desinfecção efetiva?

Caso não seja feito de forma correta, o processo de desinfecção de moldagens pode causar deformações nas peças ou oferecer algum risco ao profissional. Portanto, é importante seguir as recomendações e ter conhecimento dos diferentes métodos de realizar esse procedimento. Então, reunimos aqui algumas informações de produtos e tempo necessário de exposição para cada categoria de eficácia.

Quando os materiais de moldagem utilizados são pasta zinco-enólica, polissulfetos, silicones, alginato e poliéter, os níveis são atingidos da seguinte forma:

Nível de desinfecção Produto desinfetante Tempo de exposição para Alginato e poliéter Tempo de exposição para demais produtos
Alto Glutaraldeído (2%) Borrifar e guardar por 10 min Borrifar e guardar por 10 min ou imersão em 10 min
Intermediário Hipoclorito de sódio (0,5% ou 200-5000 PPM)Iodofórmios (1-2%)

Fenóis (1-3%)

Clorexidine (2-4%)

Álcool (70%)

Borrifar e guardar por 10 min Borrifar e guardar por 10 min ou imersão em 10 min
Baixo Amônia quartináriaDetergentes Fenólicos simples Borrifar e guardar por 10 min Borrifar e guardar por 10 min ou imersão em 10 min

Essas informações foram retiradas do manual de Biossegurança e Desinfecção de Materiais de Moldagem e Moldes para Profissionais de Prótese Dentária, disponibilizado pelo Conselho Federal de Odontologia (CFO).

Para cada tipo de desinfetante existe uma técnica correta de utilização, que precisa ser respeitada a todo momento. O produto Glutaraldeído, por exemplo, tem uma alta capacidade de desinfecção, entretanto, pode oferecer riscos ao profissional que utilizá-lo.  Para entender melhor como manusear cada um deles, acesse o manual criado pela CFO.

Biossegurança na odontologia: influências do comportamento humano

As falhas humanas são alguns dos principais motivos para o aumento dos riscos nos ambientes clínicos e laboratoriais. De acordo com a Associação Brasileira de Odontologia (ABO), algumas delas são:

  • Limpeza incorreta ou deficiente dos materiais
  • Utilização de barreiras inadequadas para os artigos
  • Confecção de pacotes muito grandes, pesados/apertados
  • Disposição inadequada dos pacotes na câmara da autoclave
  • Abertura muito rápida da porta ao término da esterilização
  • Tempo de esterilização insuficiente
  • Utilização de pacotes que saíram úmidos da autoclave
  • Mistura de pacotes esterilizados e não esterilizados
  • Não identificação da data de esterilização/validade dos pacotes
  • Desconhecimento ou despreparo profissional

Para reduzir o risco de contaminação, CDs e TPDs precisam analisar os perigos e ter a responsabilidade de aplicar os métodos preventivos no dia a dia. Além disso, é importante que haja uma comunicação clara entre os profissionais, promovendo uma maior segurança em todas as etapas de trabalho. Cuidado não se subentende, é preciso compreender as medidas tomadas pelos parceiros e garantir que todos estarão seguros. 

Conhecimento é tudo! Quanto mais você sabe, melhor consegue aplicar as técnicas, preservar a saúde de todos e ainda gerar credibilidade para o seu trabalho. Então, acompanhe nossos conteúdos nas redes @apdespbr e /apdespbr e mantenha-se sempre informado!

Referências

 

Redação Canal da Prótrese

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