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Como definir a forma do dente em cerâmica? [+ 6 dicas]

Como eu defino a forma dos dentes quando trabalho a morfologia dental em cerâmica? – Começando pelos lóbulos de desenvolvimento.

Trazemos neste texto algumas dicas sobre a morfologia dental em cerâmica. Especialmente retiradas de um passo a passo com o professor José Pereira Flores em uma aula ao vivo transmitida, com exclusividade aos sócios, da sede da APDESPBR. [Acrescentamos 6 dicas ao longo do texto] Flores, técnico em prótese dentária desde 1985, trabalha em laboratório de prótese dentária desde os 13 anos de idade, em 1975. Especializou-se em morfologia dental em cerâmica e ministra aulas sobre o tema no Brasil e América latina. Foi professor de morfologia e cerâmica da UDD – Universidad Del Desarrolló por 9 anos e ministra aulas na Universidad Autónoma do Chile há 6 anos, e no IAN – Instituto Autonoma do México, em Durango, sobre morfologia, laminados cerâmicos e visagismo. Agora está retomando sua presença em cursos pelo Brasil e nós vamos trazer mais dos conhecimentos deste grande técnico brasileiro em nossa programação.

Sempre estudei os dentes naturais para poder adquirir conhecimento em morfologia dental.

José Pereira Flores tem curso presencial programado em nossa sede com o tema Morfologia em cerâmica branca. O professor responde a uma pergunta que diz ser comum: Por que cerâmica branca? E por que não cera para fazer a morfologia?

Afinal, por que cerâmica e não cera?

Porque quando você faz a transição de cera para cerâmica você pode encontrar muita dificuldade. A ideia de trabalhar a cerâmica branca é ter maior controle do trabalho em morfologia dental, responde Flores. E se você não tiver a forma bem controlada nas contrações você vai perder as características internas criadas – mamelos, dentina. Além disso, quando trabalhamos com cerâmica de uma cor única não nos preocupamos qual massa precisamos colocar, é uma massa única. Então, nesse processo você desenvolve mais o acabamento, a morfologia, essa é a vantagem.

#Dica 1: Com a cerâmica branca você precisa de uma luz de contraste para enxergar a macro e micro textura. A luz da luminária apenas não funciona muito bem para esta visualização. No caso Flores utilizou uma luz amarela para oferecer o contraste necessário. “Você pode utilizar uma dentina opaca ou com cor. Eu comecei a dar curso com a cerâmica branca e acostumei. Agora estou testando a cerâmica opaca White.”

Sobre a morfologia dental e o visagismo

Foto: José Pereira Flores

Na literatura nós vemos três formas dentais básicas. Mas eu gosto de trabalhar com quatro formas básicas, porque eu trabalho muito com o visagismo. Cada forma de dente fala algo sobre a personalidade humana, é muito interessante. Mas o tema visagismo, que é bastante amplo, vai ficar para uma próxima publicação. Aqui vamos detalhar como delimitar a forma do dente ao criar a sua morfologia em cerâmica.

A gente define a forma pelas arestas ou pelos lóbulos de desenvolvimento. A gente define as arestas e a macro textura e a micro textura está composta dentro destas linhas, entre a linha de espelho e a linha de transição. Defina essas linhas para você trabalhar a forma do dente.

Então, por onde começar a construir a forma dental?

Comece sempre pelos lóbulos de desenvolvimento. Se você não regula a forma do dente primeiro, fica difícil você controlar a textura ideal para cada trabalho. Por onde que eu começo a construir? Já começo a construir a forma na minha construção de anatomia, com a marcação da linha de transição entre a aresta mesial e o ponto de contato.

Feita a marcação das linhas de transição a gente começa a fazer o lóbulo mesial. O lóbulo mesial e o distal definem a forma do dente. Quanto mais paralelo, mais retangular ou quadrado. Quanto mais arredondado o mesial e distal, mais ovalado. E quanto mais ir contra esse lóbulo mesial e distal para o centro, mais triangular. (O ideal é sempre trabalhar com uma muralha.)

Depois de trabalhar os lóbulos mesial, distal e central Flores trabalhou os sulcos de desenvolvimento e finalizou com os lóbulos horizontais, que conferem os planos de inclinação. Podemos inserir na região de bossa e mais dois ou três no terço incisal. Estes também vão depender da forma do dente a ser desenvolvida.

P.S: Na ocasião o trabalho foi feito sobre refratário. Então já foi uma técnica aplicada a este caso, considerando o material e as contrações da cerâmica.

# Dica 2: sempre que eu vou trabalhar com refratários eu ‘estrago’ a minha bandeja para trabalhar ela a 45º. Porque a cerâmica vai contrair para o centro, então não vai ter risco de descolar a cervical e nem de descolar a incisal. Eu aprendi com o Nondas (Vlachopoulos) a fazer essas ‘marcas’ na bandeja, depois que eu vi ele fazer assim, gostei e tenho feito sempre assim.

#Dica 3: durante a aplicação o modelo utilizado na aula foi de epox. Neste caso é essencial utilizar a água destilada para controlar melhor a umidade, a absorção é mais rápida. E no dia a dia sempre utilizar água destilada, principalmente nas 2 primeiras camadas.

#Dica 4: geralmente eu faço em 2 queimas por causa da contração da cerâmica.

Onde obter informações? Como estudar?

Durante o trabalho do ceramista, ao planejar a morfologia dental da peça protética é necessário ter em mente os conceitos da anatomia dental. Quando nós não temos informação no arco superior, por exemplo, podemos buscar informações nos dentes inferiores. E quando não temos informações nenhuma, temos que ter em nosso conhecimento uma textura básica, média, não muito agressiva, nem tão lisa.

Eu sempre estudei morfologia com dentes naturais. Mas você pode estudar com aqueles modelos que você acha bonito, que considera com boa textura, e guardar esse material para estudo. Pode ainda adquirir kits de dentes para estudo da morfologia e textura. Eu comprei um kit de dentes com 120 dentes anteriores e 120 posteriores que utilizo também em meus planejamentos. Você pode começar por aí.

Você pode ainda treinar com desenhos, delimitando as áreas de sombra e luz. É importante você desenhar. Para o estudo da anatomia dental eu gosto muito também de fotografia de dente natural.

Imagem do livro apresentada na aula  #dica 6

#Dica 5: Guarde os modelos que você considera bonitos para estudar formas e texturas dos dentes e apresentar trabalhos mais personalizados, com maior naturalidade. Crie seu próprio banco de imagens para estudo da morfologia dental – para a forma do dente, as macro e micro texturas. (Mais uma dica sobre banco de imagens próprios para estudo. A dica anterior sobre utilização de modelos para banco de estudos de gengivas e arranjos naturais foi dada anteriormente por Éric Padovani aqui)

#Dica 6: Livro ‘Nature´s Morphology – An Atlas of Tooth Shape and Form’, Shigeo Kataoka e Yoshimi Nishimura – desenhos com definição de luz e sombra.

Ah, claro que você também pode [e essa é uma ótima dica ;)] se tornar um associado APDESPBR e ter acesso às aulas ao vivo e toda a programação da nova plataforma digital APDESPBR ONLINE, e ainda obter descontos na programação de cursos presenciais em nossa sede, em São Paulo, SP. Conheça os nosso planos de associação e faça parte!

Imagens: Foto Capa (José Pereira Flores); Imagens interior da matéria – prints da aula disponível na plataforma digital APDESPBR ONLINE.

 

Redação Canal da Prótrese

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