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Como escolher conectores para overdentures? Observe esses 3 critérios!

O que eu tenho percebido ao longo destes anos atuando na prótese dentária é que não é o fato de ter um dispositivo removível que aborrece o paciente. Mas o fato de ter um dispositivo removível que não o atende.

Frase de Luiz Fernando Buratto durante uma aula ao vivo transmitida em nossa sede sobre Conectores para overdentures que durou quase três horas, um conteúdo de grande qualidade técnica e científica. Buratto é engenheiro e técnico em prótese dentária com extenso conhecimento em dispositivos e conectores para overdentures e deu dicas valiosas de como escolher o ideal para cada caso.

Disse mais em sua introdução: Iniciamos o caso analisando a situação para saber que tipo de dispositivo usar. É uma circunstância de oclusão. Mas a articulação é dinâmica porque tem a ver com o inter-relacionamento de toda a estrutura dentária no ato funcional. Então, é muito mais complexo. E o que isso quer dizer para nós? – Ora, se eu vou tratar uma overdenture, eu vou trabalhar uma prótese total. Então, todos os critérios clássicos de uma prótese total precisam ser atendidos.

 

Não é porque eu vou usar conectores que os meus pecados serão absolvidos na prótese total. Isso não vai acontecer. Ao contrário, você vai ter uma overdenture decepcionante se você não atender todos os critérios de articulação de uma prótese total. (Luiz Buratto)

Então, como escolher o melhor conector para a sua prótese overdenture?

Bem, segundo o próprio Luiz Fernando Buratto, quem entende muito do assunto, existem conectores para todos os tipos de problemas. É preciso saber qual é o objetivo do tratamento. Para isso, Luiz destaca 3 critérios a observar na escolha mais adequada do componente a utilizar na reabilitação oral. Vamos a eles!

Como a quantidade de opção é grande, Buratto ensina a começar reduzindo as possibilidades. Como? Eliminando os que não se adequam ao seu caso, logo no início. E qual é a característica que não da para discutir? – Todo protético sabe qual é: o espaço disponível. Você pode achar o componente maravilhoso, mas se não tiver espaço, não tem jeito, afirma.

 

1º critério) Dimensão vertical

Porque espaço não se discute!

A partir de agora vamos às explicações nas palavras de Luiz Fernando Buratto.

O nosso universo é muito reduzido, 1 mm pra nós já é muito. Então, eu oriento fazer uma muralha para medir com precisão o espaço disponível. Ela vai preservar toda a topografia externa da prótese, que é exatamente o que precisamos. Porque a partir deste ponto não estamos estimando uma dimensão – estamos medindo uma dimensão. E a possibilidade de existir uma inconformidade durante o processo é pequena. Assim, você vai conseguir fazer o devido julgamento.

E de um modo geral os conectores são oferecidos em dois tamanhos diferentes para o mesmo modelo. Neste caso, qual é o melhor para trabalhar? Eu diria: quanto maior, melhor. Mas, infelizmente, no ambiente bucal nós temos que nos adaptar ao espaço que nós temos para trabalhar.

Nesta etapa, então, nós já definimos um dos critérios utilizando a muralha: a dimensão vertical disponível. Somente fazendo isso, usando o critério dimensional, nós já descartamos praticamente metade das opções.

*Buratto alerta para o caso mostrado na foto: este é um caso atípico, porque nós temos bastante espaço, visto a perda considerável de estrutura. Mas isso não é o que vem acontecendo atualmente. Porque os tratamentos têm acontecido em fase cada vez mais prematura, com a estrutura mais preservada. O que diminui o espaço disponível.

Agora nós passamos à análise do próximo critério.

2º critério) Sistemática de funcionamento

Depois de decidido o espaço que vamos admitir para a confecção desta prótese, vamos à definição do tipo de sistema. Agora é preciso decidir: trabalhar com barra ou componentes discretos?

Ao falar em trabalhar com barra sabemos que precisaremos de dois implantes para suportar um elemento de junção. Ou, se trabalhar com um elemento discreto, teremos um implante, ou raiz, isolado um por um, do elemento isolado. Qual é o mais interessante para o seu caso? Eu costumo dizer: a solução nunca está longe do problema. Portanto, quem vai dar a resposta é a boca do paciente. A escolha vai depender do espaço disponível, da profundidade da implantação óssea e outros aspectos que veremos mais a frente, conforme estreitamos os tipos de dispositivos disponíveis.

Componentes discretos e a divergência total

O que é um componente discreto? É um componente fixado direto em cima de um implante. Neste caso o componente vai assumir o eixo do implante. Se você tiver um componente apenas não há problema, mas utilizando dois ou mais o trabalho é mais complexo. Principalmente se o implante for na região de canino, por exemplo. Porque nesta região já há necessidade de desvio do eixo da inserção do nervo, por exemplo, e a complexidade vai aumentando.

O importante de se analisar agora é a divergência. A soma total da divergência entre os componentes. E qual é a divergência total que os componentes aceitam sem criar problema?

Vamos dar um exemplo: se eu fizer uma prótese com uma divergência entre os componentes em torno de 22° graus a possibilidade de o paciente colocar e não conseguir tirar é grande. Ou, então, de nem conseguir encaixar a prótese. Pacientes com necessidades especiais, ou alguma deficiência, por exemplo, podem ter dificuldade maior para o encaixe da prótese por causa da divergência.

Então, existe uma tolerância? – Sim, existe. Alguns modelos têm uma tolerância maior e outros menor. Mas, em sua maioria, a tolerância média dos componentes é de 16° de divergência total entre eles. Até 16° o dispositivo vai funcionar e vai ter a longevidade que ele deveria.

Com este raciocínio entendemos que quanto mais implantes eu tenho, mais crítico vai ficando o meu trabalho, porque a divergência entre eles é sempre total.

Atenção: essa informação deve vir, por padrão, do consultório odontológico. Porém, é importante esse conhecimento pelos técnicos em prótese dentária para a boa resolução do caso. O protético deve perguntar ao cirurgião-dentista se será utilizado conectores discretos. Caso afirmativo é necessário questionar a espessura da gengiva do paciente para a escolha do componente adequado. Porque o componente de junção deve ficar exteriorizado ao nível da gengiva para oferecer o encaixe.

Neste ponto nós escolhemos se conectores discretos ou em barra. Mas e agora, qual conector escolher? São diversos modelos, vamos analisar o próximo critério que depende da implantação óssea ou de implante – o comprimento efetivo.

3º critério) Transmissão de carga

Quem é o suporte que vai reter o conector?

Raiz remanescente ou implante? Em ambos os casos nós precisamos de comprimento, de profundidade. Em números, esperamos um implante com 10mm de implante e, se raiz remanescente, 50% de implantação óssea efetiva. Isso tudo porque a carga tangencial interfere na longevidade da peça e na eficácia da reabilitação oral.

Planejando os componentes devido à carga tangencial que ele deverá suportar, o profissional técnico poderá escolher entre conectores mais simples, com clipes metálicos, ou com material resiliente intermediando o encaixe, para que este material segure parte da energia gerada nesta dinâmica.

Os componentes com elementos resilientes seguram a transmissão de carga tangencial nos casos em que a implantação não oferece a segurança cientificamente comprovada. Observe abaixo os macro modelos e o componente real aplicado.

Neste momento Buratto apresenta um estudo científico que comprova essa indicação de uso dos componentes discretos conforme suas características. O estudo em questão foi publicado em julho de 2014 no American College of Prostodontics. Quem o conhece sabe que a abordagem acadêmica, científica, é a base de suas afirmações. O que nos confere aulas muito ricas em informação.

Observação: no caso da escolha por barra-clip, a conexão dos componentes segue a mesma lógica da transmissão de carga, com opções de elementos resilientes que, igualmente, seguram a energia gerada na dinâmica bucal.

A indicação clínica

Importante frisar que a escolha dos componentes também deve se dar com a observação de uma boa anamnese do paciente, considerando seus aspectos físicos, emocionais, comportamentais. Se a pessoa tiver alguma deficiência, por exemplo, o mais indicado é o componente com elemento mais resiliente – eles têm diferença de retenção entre si.

Além disso, há a opção das barras com componentes magnéticos. Elas não oferecem estabilidade, mas oferecem boa retenção. E são bastante indicadas nos casos em que o paciente tem alguma dificuldade motora, ou que dificulte o encaixe da peça. Isso porque o componente magnético leva a estrutura aonde ela tem que ir para oferecer o encaixe.

Às vezes, uma simples observação de como o paciente lida com a peça reabilitadora pode auxiliar o cirurgião-dentista a orientar melhor a escolha. Nos casos, por exemplo, de pacientes com hábitos mais ‘abrutalhados’, que colocam a prótese na boca e mordem, simplesmente, sem a devida preocupação com os elementos de encaixe, pode resultar numa troca constante de dispositivos, sem que os profissionais envolvidos compreendam o motivo de tal necessidade.

O conhecimento protético

É preciso avaliar, conversar, e acompanhar cada caso para a melhor indicação dos dispositivos de uma prótese dentária overdenture. Como em todos os trabalhos, a comunicação clínica odontológica e laboratório de prótese precisa estar bem afinada e cada qual com o entendimento do caso que lhe cabe para o bom entendimento e a boa troca de experiência e conhecimento.

Portanto, o estudo científico e a análise clínica eficiente vão determinar a boa escolha do sistema protético adequado à reabilitação oral. Claro que o resultado vai depender também da eficiente comunicação entre as partes. E se você, na sua dinâmica atual, precisa fazer alterações em suas relações para que isso aconteça de forma adequada – faça! Todo o cuidado é necessário para interferirmos na dinâmica humana. O seu trabalho é muito importante para a qualidade de vida das pessoas que o recebem.

Não podemos esquecer que estamos alterando uma lógica de funcionamento de um organismo que é brilhante, que é o organismo humano.

Isto posto, façamos da melhor maneira que pudermos, concordam?! Assim, iniciamos e finalizamos este texto com as precisas palavras de Luiz Fernando Buratto em uma aula sensacional que já faz parte do acervo da nova plataforma digital APDESPBR ONLINE. Conheça os planos (profissional e estudante) e associe-se!

Te esperamos na próxima! 😉

 

Redação Canal da Prótrese

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