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Como iniciar na impressão 3D

Como iniciar na impressão 3D e entrar no fluxo digital da odontologia

A odontologia digital deixou de ser uma tendência para o futuro e se tornou uma necessidade do presente. A impressão 3D, associada a um CAD, é um dos caminhos para a entrada nesse universo digital. Pela sua capacidade de padronizar os processos de trabalho, essa tecnologia é cada vez mais reconhecida por técnicos em prótese dentária.

Nesta matéria, você confere tudo o que precisa saber para iniciar na impressão 3D e dar os primeiros passos para uma rotina de trabalho digital. Com essas dicas, você vai entender como é o processo e quais vantagens esse fluxo pode trazer ao seu dia a dia na confecção de próteses dentárias.

Para criar esse conteúdo, contamos com a participação do TPD Felipe Higa, que trabalha com impressão 3D há 3 anos. Relembrando suas próprias experiências ao iniciar nesse fluxo, Felipe deixou dicas importantes para quem está começando. Confira! 😉

Saiba tudo sobre as impressoras 3D em laboratórios de prótese dentária

Em laboratórios de prótese, é possível operar no fluxo totalmente ou parcialmente digital. Em ambos, a impressora 3D pode compor o conjunto CAD/CAM. No fluxo de trabalho in house (totalmente digital), o cirurgião-dentista realiza o escaneamento intraoral e envia o arquivo 3D para o laboratório. 

Com esse arquivo, o cadista tem as informações que precisa para executar o desenho/planejamento da prótese no CAD, e então imprimir ou fresar através do CAM. No fluxo de trabalho in lab (parcialmente digital), os processos são similares, mas com uma diferença. O cirurgião-dentista realiza a moldagem da boca do paciente e, no laboratório de prótese, após confecção do modelo de gesso, o TPD faz o escaneamento dos arcos dentais com o scanner de mesa.

“Após a criação do objeto 3D no software CAD, é necessário posicionar os pinos de suporte para construção, fatiar o objeto 3D em camadas e converter em coordenadas X, Y e Z através do software CAM. Em seguida, é só exportar o arquivo para a impressora 3D.” (Felipe Higa)

Software CAM da impressora 3D
Software CAM da impressora 3D

É importante atentar para o fato de existirem empresas que terceirizam o trabalho de impressão. Sendo assim, você não precisa possuir uma impressora 3D enquanto dá seus primeiros passos no fluxo digital. Essa opção pode ser facilitadora enquanto seu laboratório de prótese se adapta a essa dinâmica.

O que é possível fazer com a impressão 3D?

De acordo com o TPD Felipe Higa, é possível confeccionar peças como modelos, provisórios, placas interoclusais, guias cirúrgicos e elementos calcináveis: copings, coroas, facetas laminadas, estruturas para protocolo e barras para overdenture.

Estrutura de ponte fixa impressa para técnica de fundição

Para as impressoras 3D utilizadas na odontologia, os insumos utilizados são resinas líquidas fotopolimerizáveis de variadas aplicações com registro na ANVISA.

Mas o que define o sucesso da impressão? Para Felipe, a análise prévia das malhas é fundamental.

“O sucesso da impressão é derivado da qualidade e formação correta da malha. Temos alguns softwares gratuitos para processo de aferição de malha, por exemplo: Microsoft 3D Builder, FlashDLPrint e Meshmixer.”

De acordo com ele, a malha é fundamental e insubstituível nos processos digitais, e é formada por um conjunto de voxels. O nome “voxel’’ é uma fusão de duas palavras: “volume” e “pixel”. Sendo assim, pode ser entendida como “pixel tridimensional”.

Formação dos voxels

Quais tipos de impressoras 3D são utilizadas na odontologia?

Felipe explica que as impressoras 3D são equipamentos dedicados à manufatura aditiva. Sendo assim, os elementos são construídos de maneira progressiva, curando o material e agregando camada por camada. Atualmente, para o mercado odontológico, encontram-se impressoras do tipo:  

  • SLA (StereoLithography Apparatus): A estereolitografia, do grego “Stereon” (sólido), “Lithos” (pedra) e “graphy” (escrita), é uma técnica que podemos dizer que “escrevemos com a luz”. Consiste em um laser ultravioleta que incide sobre uma bandeja com resina líquida fotopolimerizável. O laser é utilizado para traçar várias linhas até a formação total da imagem, como se fosse o ato de escrever. Assim, a plataforma de impressão desce até a bandeja e sobe de forma gradativa a cada camada processada. 
  • DLP (Digital Light Processing): É a abreviatura inglesa de Processamento Digital de Luz. Consiste em um projetor digital de luz ultravioleta em uma bandeja com a resina líquida fotopolimerizável. Utiliza-se esse projetor digital para formar cada camada em uma única imagem, como um carimbo. Assim como na SLA, a plataforma de impressão desce até a bandeja e sobe de forma gradativa a cada camada processada.
  • LCD (Liquid Crystal Display): É a abreviatura inglesa de Tela de Cristal Líquido. Consistem em um processo similar ao DLP, porém com um display LCD como fonte de luz.

Confira abaixo como acontece cada processo:

O que você precisa saber antes de iniciar na impressão 3D

“Antes do profissional iniciar a impressão 3D, é interessante compreender a técnica de planejamento no CAD para posteriormente prosseguir com a produção (CAM). Todas as características do planejamento serão reproduzidas na impressão, portanto, bons resultados derivam expertise da junção entre o CAD e o CAM.” (Felipe Higa)

Planejamento, conhecimento e preparo. Esses são os três pontos principais que o profissional precisa estar atento antes de iniciar no fluxo digital com a impressão 3D. Conforme explicado pelo TPD, o planejamento é imprescindível para ter sucesso no trabalho, por isso, é fundamental dar uma atenção especial a esta etapa.

E, claro, também é preciso ter conhecimento sobre o equipamento, materiais e processos. “O conhecimento dos sistemas de resinas fotopolimerizáveis é crucial. Os processos de cura e pós-cura, associado ao planejamento, são fundamentais para um bom resultado”, afirma Felipe.

Modelos de trabalho e placa mio-relaxante impressa

O terceiro ponto, o preparo, podemos exemplificar com um relato de Felipe. Ao iniciar na impressão 3D, a falta de capacidade para interpretar o comportamento das impressões o levou a enfrentar alguns desafios.

“Tive dificuldade para dominar o CAM e entender que  as primeiras camadas de impressão são fundamentais, portanto, a espessura do tapete e os tamanhos e diâmetros dos pinos de construção devem ser parametrizados e padronizados de acordo com cada resina para eliminar falhas.” (Felipe Higa)

Peça com falhas na impressão

Então, a partir daqui você já sabe como dar os primeiros passos na impressão 3D evitando enfrentar possíveis desafios, certo? Quando há planejamento, conhecimento e preparo, é possível diminuir as possibilidades de eventuais erros que possam afetar a produtividade do trabalho.

Mas, afinal, quais são as vantagens de trabalhar com impressão 3D no laboratório de prótese?

Padronização é a palavra chave. Segundo Felipe, o processo de padronização, mesclando   técnicas de trabalho entre o fluxo analógico e digital se tornam ferramentas propulsoras da produtividade. Assim, além de garantir um aumento significativo na produção, o custo dessa dinâmica se torna razoavelmente baixo.

Segundo ele, o investimento inicial em uma Impressora 3D é bem menor em relação a outros equipamentos de manufatura, como fresadoras, sendo um facilitador para quem está ingressando no fluxo digital. Vale ressaltar que uma impressora não entrega a mesma qualidade de um trabalho fresado. Portanto, é importante fazer uma pesquisa e  pontuar o nível de qualidade do trabalho que você quer entregar para então adquirir sua impressora 3D. 

Nessa análise, você precisa levar em consideração quais são suas necessidades em termos de demanda de trabalho, velocidade de entrega, qualidade e custo. E, para quem está iniciando, o TPD Felipe Higa deixa uma dica importante:

“Os estereótipos precisam ser deixados de lado. Não é necessário “ter o digital” e sim “ser digital”. O fluxo de trabalho digital vai além da somatória dos equipamentos e softwares. Atualmente, temos possibilidades de enviar projetos 3D para manufatura aditiva ou progressiva em centros de produção terceirizados.”

Ou seja, reforçamos que é possível ter um fluxo de trabalho digital utilizando a terceirização da impressão 3D. Essa, inclusive, pode ser uma alternativa versátil para quem está iniciando. Afinal, quando o assunto é adaptar-se à odontologia digital, o que importa é dar o primeiro passo com conhecimento.

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Redação Canal da Prótrese

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