APDESPbr - O CANAL DA PRÓTESE ODONTOLÓGICA BRASILEIRA

Confecção de próteses extraorais: o processo artístico que reabilita vidas

Entregar ao paciente a satisfação de olhar-se no espelho e poder reconhecer a si próprio novamente é um dos maiores objetivos de técnicos em prótese dentária. Essa conquista é apenas uma parte do resultado de um tratamento reabilitador, pois este envolve tanto a estética quanto a funcionalidade. Mas, apesar de as próteses dentárias já serem conhecidas como uma das responsáveis por essa reabilitação, as próteses extraorais também têm ganhado maior reconhecimento, um ponto que pode ser positivo para esses profissionais técnicos.

A habilidade manual de técnicos em prótese dentária e de cirurgiões-dentistas têm aberto mais esse campo de atuação profissional. As próteses extraorais evoluíram muito ao longo dos anos e têm se tornado uma parte importante na reabilitação de pacientes que por algum acidente ou doença grave como o câncer, por exemplo, têm parte do corpo perdida. Logo, a habilidade encontra uma demanda neste mercado que tem se expandido e busca por profissional especializado. 

Nesta matéria, vamos entender quais são as próteses extraorais e como elas podem ser confeccionadas para gerar os melhores resultados aos pacientes.

 

Este tema foi apresentado pelo professor Ederson Orlandi, especialista em próteses extraorais, na aula ao vivo transmitida para associados da APDESPBR. Com 20 anos de experiência na área, o professor declarou que esse trabalho pode ser um grande diferencial para TPDs, já que a minoria explora essa área da prótese.

Próteses oculares

As próteses oculares buscam substituir um globo ocular perdido ou recobrir um globo ocular atrófico. Essas duas condições podem ser causadas por uma série de motivos, envolvendo questões congênitas, patológicas ou traumáticas. Para Orlandi, esse tipo de prótese ajuda a desenvolver o senso crítico da estética, já que sua confecção exige um trabalho mais artístico.

Um exemplo deste trabalho artístico é a técnica de pintura direta, um processo onde o profissional cria a íris com o pincel. Para alcançar as cores de íris do paciente, são utilizadas tintas acrílicas à base de água aplicadas em calotas com pinos. Veja o resultado deste método:

 

Técnica de pintura direta para confecção de prótese extraoral ocular
Técnica de pintura direta na confecção da prótese ocular

Contudo, além da aplicação das tintas, existem outros processos que complementam o realismo de uma prótese ocular. Afinal, desde o mapeamento do caso do cliente até a caracterização da peça, todos os passos podem influenciar no resultado.

E é claro, as possibilidades são amplas. São diversos tipos, formatos, cores e caracterizações, cada um de acordo com a individualidade do paciente. Portanto, a análise dos casos e a técnica é o que faz uma prótese ocular de qualidade. “A prótese ocular é uma das mais conhecidas entre as próteses faciais. Não é uma prótese difícil de fazer, mas requer atenção nos detalhes”, afirma Orlandi.

Próteses oculopalpebrais

Quando o paciente teve a perda não só da região ocular, mas também da pálpebra, é feita a reabilitação com a prótese oculopalpebral. Este tratamento busca restaurar a região ocular e palpebral, entregando uma textura próxima à pele, além de cílios e sobrancelhas, caso necessário. 

Fixadas com adesivos, armação de óculos ou implantes osseointegrados, essas próteses são feitas com silicone. Este material proporciona um maior realismo à peça, já que sua textura após a maquiagem pode se aproximar à da pele humana com eficiência.

Com isso, são utilizadas plastilinas para criar os detalhes dos olhos e então é feita a inclusão da peça em gesso. Em média de 24h, a peça vulcaniza sem a necessidade de utilizar calor para isso, portanto, ela precisa somente ser prensada. Depois, inicia-se o processo de aplicação do silicone. 

Para alcançar a cor da pele do paciente, o processo de confecção envolve a pigmentação intrínseca do silicone, a mistura de flockings para texturização e a maquiagem extrínseca para os toques finais.

Confecção de prótese extraoral oculopalpebral
Prótese oculopalpebral nas etapas finais da confecção

Em relação ao acabamento da prótese oculopalpebral, temos uma etapa muito simples, já que não há necessidade de lixas ou motores. No silicone, o acabamento é feito apenas utilizando uma tesoura, caso necessário, para garantir uma melhor adaptação da peça ao rosto do paciente. 

“Uma boa escultura e uma boa inclusão garante um bom acabamento para a prótese extraoral, então, ela não vai necessitar de um acabamento com muitas ferramentas” (Ederson Orlandi)

Para um tratamento reabilitador completo, também podem ser feitos implantes fio a fio de sobrancelha, um outro trabalho muito artístico envolvendo a prótese extraoral. Todos esses pontos são fundamentais para trazer uma estética realista, fundamental para a adaptação do paciente.

Próteses auriculares

Responsáveis pela restauração de lesões totais ou parciais na região da orelha, as próteses auriculares também são essenciais para a reabilitação estética e funcional de pacientes. Por esse motivo, são peças que têm ganhado um maior reconhecimento entre os profissionais da prótese.

Assim como as oculopalpebrais, as próteses auriculares são confeccionadas com silicone, o que, além do realismo, também garante resistência. De acordo com Orlandi, utilizar este material é vantajoso pela facilidade da fixação da prótese no local afetado. Além disso, o silicone permite que seja colocado adereços como brincos e piercings, o que também influencia no realismo da peça.

Prótese extraoral auricular confeccionada com silicone
Prótese auricular de silicone com adereços

Em relação ao processo de confecção, é possível dizer que não há diferença entre as próteses auriculares e oculopalpebrais. Os materiais são os mesmos e as etapas de produção são semelhantes.

Um outro ponto importante sobre as próteses auriculares é a possibilidade de serem implantossuportadas. Para exemplificar, Orlandi apresentou um caso onde a fixação é semelhante à de próteses sobre implantes, onde são implantados pinos na face e uma placa acrílica à prótese, permitindo que a mesma seja encaixada com facilidade, proporcionando conforto e uma boa estética ao tratamento.

Prótese auricular implantossuportada
Prótese auricular implantossuportada

Próteses nasais

Seguindo a finalidade das próteses extraorais, as nasais buscam restaurar a área do nariz, que tenha sido perdida ou deformada. De acordo com Orlandi, essas próteses costumavam ser feitas de acrílico, e até hoje alguns pacientes escolhem este material. Entretanto, o silicone permite uma leveza, textura e adaptação muito maior do que as próteses de acrílico.

O processo de confecção das próteses nasais é o mesmo utilizado em próteses oculopalpebrais e auriculares. Contudo, o principal objetivo desta peça, além de garantir a estética, é proteger a cavidade nasal que está aberta e permitir que o paciente respire bem. Para isso, ela precisa ser oca por dentro. Veja abaixo uma prótese pronta:

Prótese nasal confeccionada com silicone
Prótese nasal confeccionada com silicone

Orlandi também ressalta um outro ponto importante sobre a prótese nasal: a possibilidade do paciente recuperar a fala. Dependendo do caso, é comum que a pessoa tenha a fala anasalada ou pouco compreensível por conta da perda do nariz. Portanto, essa prótese também pode restaurar a função de comunicação.

Anaplastologia – a arte de reabilitar com as próteses extraorais

Todas as próteses extraorais mencionadas acima contribuem para a reabilitação protética de um local que precisa ser reconstruído, e esse é exatamente o conceito de anaplastologia. Como visto nesta matéria, são diversas as possibilidades com essas próteses extraorais, mas não para por aí. 

A arte de reabilitar vidas com a anaplastologia também envolve próteses relacionadas, como as de dedo, pé, mama, entre outras. O professor Orlandi também apresentou o processo de confecção dessas próteses extraorais em sua aula, e ainda acrescentou informações essenciais sobre as próteses intraorais palatais e velopalatais. Para ver mais sobre a trajetória do professor com a anaplastologia, acesse aqui a matéria “Anaplastologia e a arte de reabilitar almas”.

As próteses extraorais como um diferencial para técnicos em prótese dentária

Essa é uma área que está em expansão no mercado da prótese e, por isso, pode ser um diferencial importante para técnicos em prótese dentária. Se você busca dar os primeiros passos ou ainda aprimorar seus conhecimentos técnicos na área, a APDESPBR tem um convite para você: técnico em prótese dentária ou cirurgião-dentista, formado ou em formação, aprenda a confeccionar prótese extraoral com um dos profissionais de maior renome no Brasil, o professor Ederson Orlandi, no curso “Prótese extraoral – A arte de reabilitar a alma”. É só acessar esse link aqui!

Para entender detalhes do processo de confecção de cada peça e conhecer outros tipos de próteses, você pode tornar-se um associado e acessar a aula online, estamos te esperando! Nos encontre também nas redes sociais (@apdespbr e /apdespbr) e no Telegram. Com conhecimento de qualidade, podemos fazer a diferença 😉


 

Redação Canal da Prótrese

Deixar um comentário