APDESPbr - O CANAL DA PRÓTESE ODONTOLÓGICA BRASILEIRA
Dissilicato de lítio e cerâmica feldspática na confecção de laminados cerâmicos

Desmistificando Dissilicato de lítio e Feldspática para confecção de casos estéticos em laminado cerâmico

Com o constante crescimento da busca pela harmonização de sorrisos, os laminados cerâmicos têm ganhado um grande reconhecimento nos últimos anos. Para os profissionais, a preservação da estrutura dental é um dos pontos mais importantes para o resultado do tratamento. Entretanto, encontrar uma forma de unir qualidade à produtividade nos laboratórios de prótese dentária é essencial. 

Por isso, nesta matéria, trazemos as características principais do dissilicato de lítio e da cerâmica feldspática e, também, apontamos as principais diferenças entre os dois materiais. Assim, você terá meios para entender qual a melhor maneira de confeccionar laminados cerâmicos em seu laboratório e otimizar o seu trabalho, tornando-o mais produtivo.

Esses conceitos foram apresentados pelo técnico em prótese dentária Gabriel Aranha, na aula ao vivo transmitida para associados da APDESPBR. Com experiência na área desde 2002, Gabriel também citou que buscar sempre crescer profissionalmente é a melhor forma de atingir objetivos e conquistar a evolução pessoal. 

 

Dissilicato de lítio e suas propriedades

O dissilicato, ou também silicato, de lítio, são cristais que têm a capacidade de aumentar a resistência de uma cerâmica, assim, foram acrescidos em uma matriz cristalina formando as cerâmicas de dissilicato de lítio (E.max press e E.max CAD) e também o silicato de lítio (Suprinity). Sendo assim, se tornaram materiais com ótima capacidade de mimetizar um elemento dental, ou seja, são altamente estéticos. 

Uma outra característica importante a ser relatada é que o dissilicato contém óxido de lítio e vidro de silicato de alumínio em sua composição. Essas duas propriedades promovem a baixa temperatura de fusão do material.

Quando nos voltamos à composição desses materiais, microscópicamente falando, os grãos de dissilicato de lítio se apresentam de forma agulhada. Desta maneira, eles formam camadas que se entrelaçam e permitem uma menor possibilidade de crescimento de trincas em sua estrutura. Isso lhe garante uma maior resistência se comparado a cerâmicas que não apresentam, ou apresentam em menor quantidade, grãos em sua composição, como as cerâmicas feldspáticas. 

 

Entretanto, os cristais dispersos em sua estrutura alteram a passagem de luz pelo material, o que torna as cerâmicas feldspáticas materiais mais estéticos. Veja abaixo como é essa formação e a diferença em comparação à feldspática:

Diferença microscópica do dissilicato de lítio e da feldspática
Diferença microscópica do dissilicato de lítio e da feldspática

O condicionamento ácido e a resistência mecânica do Dissilicato de lítio

Entender essas propriedades, tais como a reatividade superficial da cerâmica com o ácido fluorídrico (5-10%) é fundamental, pois o técnico em prótese dentária precisa orientar o cirurgião-dentista. Sobre esta última, o tpd explica: “O dissilicato de lítio, por apresentar mais cristais e consequentemente menor matriz vítrea, tem o condicionamento ácido menos efetivo, sendo assim, em menor tempo que a feldspática. A partir do momento que ultrapassa o tempo ideal (20-25 segundos), os cristais começam a soltar, o que pode fragilizar o material”. Citação de Gabriel Aranha em alusão às informações cedidas pelo fabricante dos materiais. 

Outro ponto que julga necessário: conhecer bem o material com o qual vai trabalhar para extrair dele o melhor resultado em cada caso. Leia os manuais e pesquise sobre eles.

Quanto à resistência mecânica que o dissilicato de lítio alcança, variando entre 360 a 400 MPa, que é superior às cerâmicas feldspáticas, é possível afirmar que presença e forma de dispersão dos cristais são fundamentais, o que torna o dissilicato um material que apresenta características biomecânicas superiores. Ou seja, um aspecto positivo, já que a resistência acima mencionada se assemelha mais ao dente natural hígido.

Laminados cerâmicos confeccionados com dissilicato de lítio
Laminados cerâmicos confeccionados com dissilicato de lítio

As características principais da Feldspática

Diferente do dissilicato de lítio, a cerâmica feldspática tem sua base completamente vítrea. Isso significa que sua resistência é inferior, enquanto o primeiro material alcança em torno de 360 Mpa, o segundo atinge cerca de 260 Mpa, uma diferença significativa. Entretanto, como já relatado anteriormente, há uma grandeza inversamente proporcional: presença de cristais x estética. 

Quanto maior o número de cristais presentes em uma matriz vítrea, maior a resistência do material, porém menor a estética. Sendo o inverso verdadeiro: menos cristais, menor a resistência, porém maior a estética. Para mostrar como aconteceu a evolução desses aspectos nos materiais, Gabriel apresentou a seguinte imagem:

A evolução da estética e resistência no dissilicato de lítio e feldspática
A evolução da estética e resistência nos materiais

No entanto, não podemos dizer que as cerâmicas de dissilicato de lítio e silicato de lítio não são estéticas, a presença dos cristais reforça a matriz cerâmica, mas não compromete completamente as propriedades ópticas do material (principalmente a passagem de luz), tornando esses materiais menos estéticos que as feldspáticas, porém ainda indicados em casos de laminados cerâmicos.

Então, qual a principal diferença entre os dois materiais?

Considerando essa evolução apresentada pelo TPD, podemos analisar que a principal diferença entre os dois materiais é a resistência e a estética. Enquanto o dissilicato de lítio entrega altos valores de resistência mecânica, a feldspática apresenta-se como grande destaque em questão estética.

“A resistência do dissilicato de lítio é uma característica importante para o consultório também. O dentista vai ter uma maior facilidade de cimentar e manusear o material, por ele ser mais resistente.” (Gabriel Aranha)

Entretanto, sobre a feldspática, o tpd afirma: “Esteticamente falando, a feldspática é mais bonita. Ela oferece uma propriedade óptica maior que o dissilicato de lítio”. Contudo, existe ainda um outro ponto que precisa ser analisado nos laboratórios de prótese dentária: a produtividade. No próximo tópico, vamos entender, a partir desta análise, qual a melhor opção de trabalho.

Dissilicato de lítio ou Feldspática: qual o melhor material para trabalhar com laminados cerâmicos?

Atualmente, existem diversas técnicas de maquiagem dental e outras possibilidades de trabalho capazes de entregar um resultado estético satisfatório, como por exemplo o cut back. Considerando este ponto, o dissilicato de lítio pode ser um material que garante mais produtividade ao laboratório de prótese dentária. Afinal, além de oferecer a resistência, ele também entregará a propriedade óptica.

De qualquer forma, em trabalhos específicos, a cerâmica feldspática tem prioridade. Como é o caso de aplicação de cerâmica sobre refratário.

“São casos e casos. Quando se trata de um dente anterior unitário, um dente 11 ou um dente 21, por exemplo, a melhor opção seria talvez um trabalho sobre refratário ou E.max estratificado. Então, tudo depende da análise dos casos.” (Gabriel Aranha)

De acordo com tudo o que foi dito, podemos finalizar dizendo que é de fundamental importância o conhecimento completo do caso clínico para que possamos fazer a indicação do material cerâmico. Existem inúmeros casos que são indicadas ambas as cerâmicas, porém existem outros casos que são mais indicados o dissilicato de lítio devido às suas propriedades citadas. 

Além disso, é importante lembrar que, em alguns casos, as cerâmicas feldspáticas serão fundamentais para que as expectativas do paciente e do técnico quanto à estética sejam alcançadas.

Cresça com a APDESPBR

Oferecemos conteúdo de qualidade para você continuar evoluindo na profissão e transformando vidas! Para acessar nossas aulas, consulte nossos planos de associação, caso ainda não faça parte. Acompanhe-nos também nas redes sociais (@apdespbr e /apdespbr) e no Telegram. Vem com a gente!


 

Redação Canal da Prótrese

Deixar um comentário