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Erros nos trabalhos com estética? Saiba como ajustar a sua luz ambiente

Você já deve ter observado o quanto a dinâmica da luz influencia em nossa percepção de cor. E o quanto essa percepção está relacionada à aplicação prática desta habilidade no dia a dia de um(a) técnico(a) em prótese dentária. Pois bem! Mas você já levou esse conhecimento para o seu dia a dia? Pense nisso e saiba como ajustar o seu ambiente de trabalho para favorecer as suas tomadas de decisão.

Sim, decisão. Porque a todo momento estamos decidindo os materiais e as técnicas apropriadas para cada peça protética que confeccionamos. Neste contexto, a incidência de luz sobre sua bancada de trabalho e em todo o seu entorno vai influenciar, por exemplo, na escolha das pastilhas – que é o assunto deste texto.

Análise e seleção de pastilhas – foi o tema da aula de Kenji Yokoyama que foi transmitida ao vivo para os associados direto da sede da APDESPBR – a Associação dos Técnicos em Prótese Dentária do Brasil. Nesta aula MEGA interessante, Kenji apresentou conceituações importantes para você entender de vez como analisar e escolher os materiais adequados para os seus trabalhos em estética.

Mas, um ponto que chamou a atenção logo no início foi a dinâmica de luz. “Antes vamos entender um pouco de luz. Porque a seleção de pastilhas está relacionada à transmissão ou ao bloqueio de luz. Então, vamos entender o que é luz para depois partir para a seleção de pastilhas.”

Observe a foto abaixo em fundo branco.

Agora observe a foto com o mesmo dente em fundo preto.

O professor afirma que o dente tem a mesma cor, a mesma saturação – é o mesmo dente. Mas tem gente que enxerga ele mais claro ou escuro de acordo com o fundo, branco ou preto. Isso está relacionado à dinâmica da luz, que interfere na nossa percepção de cor..

Primeiro nos ensina a conceituar luz e cita uma passagem atribuída a Isaac Newton quando ele pergunta a um professor como podemos conceituar a escuridão. Ao que o professor responde ser impossível, visto que a escuridão é apenas ausência de luz. Não temos informação sobre ela. É aquilo que não enxergamos e, que, portanto, não conseguimos conceituar. Tudo o que enxergamos é reflexão de luz.

Sobre esse ponto acrescenta ainda que enxergamos com a mente e que os olhos são apenas receptores de informação. E esta informação varia bastante em uma escala que foi definida em nanômetros, entre 380 e 760nm. Formando os espectros de luz que conseguimos identificar.

Bom, se a informação de luz varia e se essa variação influencia totalmente nas cores percebidas por nós, como utilizar a luz adequadamente na confecção de um trabalho protético?

Protético(a), saiba como ajustar a luz do seu ambiente de trabalho

Entre as diversas dicas compartilhadas com o público que acompanhou essa transmissão, Kenji destacou a necessidade de os ambientes de trabalho estarem bem equipados para a aferição de cor que vai culminar na escolha da pastilha ideal em seus trabalhos com cerâmica dental. E ainda mostrou fotos de testes que fez com as pastilhas e a incidência de luz.

Como você deve ter reparado na foto de capa desta matéria, as pastilhas utilizadas pelo professor em seus trabalhos são do sistema emax, mas as informações se referem a tomadas de cor para qualquer tipo de pastilha ou situação em que você encontre dentro de um laboratório de prótese dentária ou clínica odontológica.

A dica de ouro foi a utilização de luz ambiente no dia a dia de trabalho. Mas como fazer isso?

A temperatura da cor é dada em Kelvin e a luz natural do dia varia por volta de 5.600K, portanto, é desejável que nossas fontes artificiais para trabalho girem em torno deste valor, tanto para confecção, quanto para aferição da cor.

Se a luz do dia gira em torno de 5.600K, quando eu for realizar a aferição de cor na boca do meu paciente ou escolher as pastilhas ideias ao meu trabalho em cerâmica dental, que tipo de luz eu tenho que ter? – Uma lâmpada que gira em torno de 5.600 kelvins.

Sobre a utilização da luz natural para a tomada de cor em trabalhos odontológicos Kenji conta que antigamente alguns profissionais faziam a aferição da cor próximo à janela para se aproximar da luz ideal no momento da definição e registro da escala de cor do dente. O que logicamente não dava certo porque a intensidade de luz, por vezes, era muito grande.

Existia também uma história de que o melhor registro de cor era realizado entre às nove e às dezesseis horas. O que também caiu em desuso, porque a realidade das pessoas não é essa, a exposição das pessoas à luz é bastante dinâmica. Em variados ambientes e intensidades de luz. Por isso, precisa existir um meio melhor de se fazer essas aferições.

E exemplifica: Se pensarmos na vida moderna de hoje, dificilmente nós estamos expostos à luz do dia. Quando estamos na rua, normalmente estamos transitando, passamos a maior parte do tempo em ambiente fechado. Outro exemplo: A luz do meio dia no verão estará mais do que 5.600 kelvins e se você fizer uma aferição de cor com influência desta luz, por exemplo, certamente você vai errar.

Então, equipem seus ambientes de trabalho com uma lâmpada da luz do dia, esse padrão é importante. (Kenji Yokoyama)

Para trabalhar no nosso dia a dia é importante que estejamos bem adaptados em nosso ambiente de trabalho. E essa lâmpada é facilmente encontrada em lojas de materiais de construção e muitas já vêm com essa denominação na embalagem.

A aula continuou com outras conceituações e exemplos práticos em trabalhos estéticos aplicados em seu laboratório de prótese. Mas hoje o nosso assunto é a adequada utilização da luz artificial no ambiente de trabalho protético.

O ajuste de luz em câmeras fotográficas e monitores

Ao que antes do final desta aula Kenji acrescenta comentários sobre a influência dos ajustes de leitura de luz também nos equipamentos utilizados no registro da escala de cor e acrescenta a necessidade de ajustes em câmeras fotográficas (filtro ‘white balance’ citado como exemplo) e em monitores de tela para a cor ‘bater’ com a cor da escala clássica.

Além disso, antes de encerrar esse assunto demonstrou a alteração no planejamento do trabalho com diferentes registros de um mesmo dente. Nas fotos, registros de ângulos diferentes do paciente, enviados em fases diferentes do trabalho proporcionaram maior ou menor informação de acordo com a incidência de luz e interferiu na tomada de decisão da peça que estava sendo confeccionada.

Resumindo: muita atenção na incidência de luz do ambiente de trabalho. Seja em clínicas odontológicas ou laboratórios de prótese dentária. Ou onde quer que você esteja aferindo, registrando, analisando a cor de um dente ou de um material de uso protético.

Mais atenção ainda para não perder oportunidades de aprendizado como esta! Então, se liga nas próximas aulas ou consulte os planos de associação, se você ainda não é associado(a). 😉

Traremos novidades! Até.

Maria Fernanda Marques

Gestora de comunicação e marketing na Cairós Humaniza. Especialista em branding, comunicação humanizada e planejamento estratégico. Acima de tudo, apaixonada por gente! E motivada pelas relações humanas e as boas histórias que delas resultam, sobre pessoas e marcas.

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