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Fotografia odontológica: conheça o setup inicial para obter fotos incríveis

Desenhar com a luz: esse é o significado da palavra fotografia. Apesar de ter sua origem por volta de 1826, é nos dias atuais que essa prática tem se mostrado essencial na vida das pessoas. Afinal, hoje, qualquer um pode fotografar. Entretanto, para usar esse recurso de forma diferenciada, é preciso entender do assunto, e esse é o caso da fotografia odontológica.

Em laboratórios de prótese dentária e clínicas odontológicas, a fotografia tem uma grande importância. Com ela, é possível criar protocolos fotográficos, auxiliar na seleção de cores, planejar e criar um arquivo do paciente, desenvolver fotos artísticas, trabalhar o marketing, e muito mais. Ou seja, seu principal objetivo é facilitar a comunicação entre os meios.

Esse foi o tema apresentado pelo técnico em prótese dentária, Rogério de Moraes, na aula ao vivo transmitida para sócios da APDESPBR. Nesta matéria, trazemos os princípios fundamentais da fotografia odontológica, uma prática que ganhou grande espaço na odontologia moderna.

 

Primeiros passos: qual equipamento utilizar na fotografia odontológica?

Atualmente, há uma grande diversidade de equipamentos de fotografia. Entre câmeras, flashes, tripés e outros acessórios, é fundamental encontrar o ideal para os resultados que você deseja obter. Para a fotografia odontológica, esses resultados precisam ser imagens bem detalhadas e, por isso, utiliza-se a macrofotografia.

De acordo com Rogério, o equipamento ideal para esse trabalho são câmeras da marca Canon ou Nikon, semi-profissionais ou profissionais. A principal diferença entre os dois tipos de câmera é o sensor fotográfico, que define a qualidade da imagem. Sendo assim, quanto maior for o sensor, melhor será a qualidade. Neste sentido, as câmeras profissionais têm destaque, já que possuem sensores full-frame, maiores que os de câmeras semi-profissionais.

“Hoje, a maioria das câmeras fotográficas e celulares têm bastante megapixels, o que possibilita fotos grandes. Mas para ter boas fotos é preciso se preocupar com o sensor.” (Rogério de Moraes)

As lentes precisam ser macro. Isso significa que precisam ter, pelo menos, 100 mm para a marca Canon ou 105 mm para a marca Nikon. Na escolha da marca, é importante alertar: a Nikon deixou de ter representante no Brasil, o que dificulta o acesso aos acessórios e à manutenção.

Um outro equipamento fundamental para a qualidade da foto é o flash. Em fotografias odontológicas, os mais utilizados são o flash circular ou twin. A principal diferença entre os dois é que com o twin, é possível criar mais efeitos. Então, a escolha dependerá dos resultados que você deseja obter com a foto. Conheça abaixo os dois equipamentos:

Flash utilizado em fotografia odontológica

Princípios e configurações básicas da fotografia odontológica

Para obter o trabalho completo, ter apenas os equipamentos não é suficiente. Afinal, a foto precisa ir para algum lugar. Portanto, é importante ter um cartão de memória e um computador que seja capaz de ler o cartão. Além disso, um HD externo também pode ser de grande ajuda, já que fotos macro exigem espaço.

Tendo esses princípios em mente, podemos começar a dar atenção às configurações básicas. Nas câmeras, existem duas formas de arquivar as fotos, em JPG ou RAW. Para ter fotos mais realistas, ou seja, mais próximas do que os olhos vêem, é importante que elas sejam salvas em arquivo RAW. Isso pode ser ajustado nas configurações. 

“Eu só utilizo arquivo RAW, porque ele é um arquivo descomprimido. Então, eu não perco qualidade, principalmente quando vou fazer a edição de uma imagem. E hoje, não basta ser um excelente fotógrafo, é preciso ser um excelente editor de imagem.” (Rogério de Moraes)

Um outro ponto importante para ter boas fotos é fazer as configurações manualmente. Apesar de o modo automático ser uma opção facilitadora em alguns casos, fotografias odontológicas têm um melhor desempenho quando utilizamos o modo manual. É neste modo que podemos ajustar as configurações do triângulo de exposição, fundamental para obter fotos de qualidade.

Triângulo de exposição: o responsável por uma foto bem composta

A luz é a principal responsável por uma boa foto. Entretanto, saber a configuração correta faz parte do conjunto. É esse o objetivo do triângulo de exposição: entregar a luminosidade, nitidez e velocidade para uma fotografia de qualidade. Para isso, precisamos entender sobre a abertura do diafragma, a velocidade do obturador e o ISO.

1. Abertura do diafragma

Nas câmeras, o diafragma é o orifício de abertura que controla a quantidade de luz que entra no sensor fotográfico. Nas configurações, ele é representado pela letra F. Quanto maior for o F, menor é a abertura do diafragma, ou seja, menos quantidade de luz. Isso influencia também na profundidade de campo, o famoso “fundo desfocado”. 

Configurações básicas para fotografia odontológica
Efeitos de diferentes aberturas de diafragma

Então, uma foto utilizando f/2 terá mais luz e uma menor profundidade de campo, enquanto uma foto com f/32 terá menos luz e uma maior profundidade de campo. Para consertar a falta ou o excesso de luz, é preciso equilibrar a abertura do diafragma com os outros dois pontos do triângulo de exposição, que continuaremos mostrando nesta matéria. 

2. Velocidade do obturador

A velocidade do obturador é o que define o tempo de exposição do sensor à luz. Ou seja, é responsável por deixar as fotos borradas ou nítidas. Velocidades mais baixas, representadas pelos números de 1/1 até 1/30, podem causar o efeito de “borrão”, caso não sejam feitas utilizando um tripé para dar estabilidade, ou um flash, que pode paralisar a imagem.

De 1/30 a 1/250 são velocidades médias, que deixam a foto mais focada, sem precisar de tripé. As velocidades a partir de 1/250 são capazes de congelar coisas que estão em rápido movimento, como um beija-flor voando, por exemplo.

Configurações básicas para fotografia odontológica
Efeito causado pela alta velocidade do obturador

3. ISO

Responsável pela quantidade de ruído da imagem, o ISO também cumpre o papel de entregar mais luminosidade. Quanto maior o seu valor, mais luz a foto terá, mas também com um maior ruído. Portanto, ao utilizar um número baixo, o ideal é ter um ambiente bem iluminado. Veja abaixo o efeito do ISO em uma fotografia:

Configurações básicas para fotografia odontológica

Então, qual a configuração ideal do triângulo de exposição na fotografia odontológica?

Na fotografia odontológica, o ideal é que a abertura do diafragma esteja acima de f/16. Assim, é possível focar em centrais e molares ao mesmo tempo. Para isso, também será necessário controlar a potência do flash para equilibrar a luz. Rogério explica que, em suas fotos intra-orais, utiliza a configuração f/22. Já para fotos da face do paciente, f/11.

Em relação à velocidade do obturador, é importante que haja estabilidade. Portanto, o tempo de exposição para fotos intra-orais deve ser de, pelo menos, 1/250. Para fotos da face, é possível utilizar 1/125.

Para finalizar, em fotos intra-orais, o ISO deve manter-se em 100, sempre o menor número. Em fotos da face, pode ser utilizado o 400. O TPD pode usar essas configurações padrões, mas o ideal é fazer testes para entender qual tipo de configuração melhor se encaixa com a foto que deseja obter.

“Entendendo todo esse conceito do triângulo de exposição, basta criatividade para fazer o que quiser na fotografia.” (Rogério de Moraes) 

Com esse recado do TPD, afirmamos para você: existem diversas outras possibilidades com a fotografia odontológica, permita-se conhecê-las! Além disso, deixamos um convite: consulte nossos planos de associação. Ao se tornar um associado, você tem acesso a essa e todas as outras aulas incríveis transmitidas pela APDESPBR. E claro, estamos também no Instagram, Facebook e Telegram. Nos acompanhe nessa grande busca por conhecimento de qualidade! 😉

Redação Canal da Prótrese

Redação Canal da Prótrese

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