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Metalocerâmica e o olhar além do molde

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 50% da população brasileira adulta tem apenas 20 ou menos dentes funcionais. Já nos idosos esse índice é ainda maior, chegando a 70%. Para essas pessoas, a alternativa é a utilização das próteses dentárias, que se tornaram mais acessíveis, confortáveis e funcionais ao longo do tempo.

A metalocerâmica ainda é apontada como o sistema mais utilizado no momento para a confecção de prótese dentária. A grande procura considera sua praticidade no manuseio do profissional e o custo-benefício que agrada o paciente. O técnico em prótese dentária, Dorival Edson Góis Lopes, conversou com O Canal da Prótese e compartilhou um pouco da sua experiência e sua maneira humanizada de trabalhar ao longo dos 12 anos de profissão.

“No meu dia a dia, eu faço em média 70% ou mais do meu trabalho com metalocerâmica” afirmou o técnico. 

Foto: Arquivo pessoal Dorival Edson Góis Lopes

As vantagens de usar a metalocerâmica

O Sistema metalocerâmico consiste em um núcleo de metal (a parte interna) revestido com cerâmica odontológica (porcelana), o que garante uma maior durabilidade e resistência para o paciente. Mantém a função motora e visualmente tem boa semelhança com os dentes naturais. Assim, em casos onde não é feita uma prótese total, ajuda a manter a uniformidade no sorriso.

Muitos profissionais optam pela metalocerâmica pois também é mais barata, resistente, permite melhor manuseio e simplicidade em sua confecção. Além disso, a utilização da cerâmica permite um bom ajuste de cor. Como explica Dorival, “a cerâmica acaba dando uma naturalidade maior às próteses, por ter uma dinâmica melhor de luz.

O sistema é indicado na maioria dos casos, ainda porque, segundo o técnico, “pode ser utilizado sobre remanescentes desfavoráveis ao extremo. Quando o elemento onde a prótese será cimentada está fora dos padrões de cor do dente original, como por exemplo em núcleo metálico onde o dente é A1 e o preparo está A4.

Como técnico, busco indicar o que acredito alcançar um resultado melhor, dentro da expectativa do paciente, independentemente do material a ser aplicado. Claro, sempre em parceria com o dentista, afirma. 

Foto: Arquivo pessoal Dorival Edson Góis Lopes

Quando não usar o material 

No Brasil, o material mais usado no núcleo metálico é o níquel, ou em alguns casos o cobalto. No entanto, não são todos os pacientes que podem utilizar esse material. Já que existe uma parcela da população, cerca de 10%, que é alérgica a algum dos componentes de metal. Entretanto, existem diversos níveis da alergia, que podem ser descobertos através de um simples exame, conhecido como teste de contato (patch test).

Para identificar  um caso de alergia na boca, a orientação é observar gengivas inchadas, vermelhas e a presença de retração. Para esse tipo de paciente existe o sistema metalfree onde não é usado o metal. Saiba mais sobre metalfree aqui.

Foto: Arquivo pessoal Dorival Edson Góis Lopes

Olhar além do molde

O técnico em prótese dentária, Dorival, já atua no mercado há 12 anos. Entretanto, continua a olhar cada molde de maneira singular, pensando no atributo humano que o caracteriza. 

“Eu acredito que nossa profissão é muito especial, pois não fazemos somente próteses. Penso que por trás do molde existe uma pessoa que tem as suas preocupações do dia a dia, seus sentimentos e sonhos, e que possui uma necessidade real de reposição de uma parte de seu corpo que foi perdida, ou que necessita ser transformada. Por isso, ao pegar o modelo de trabalho, sempre devemos tratá-lo de forma especial, único, mesmo sendo um modelo em gesso”, contou o protético.

Segundo ele isso acrescenta um diferencial às suas criações, pois se mantém atento aos detalhes, à caracterização que respeita o perfil de cada indivíduo e melhora sua autoestima. 

Sobre a aplicação da cerâmica

No mais, Dorival alerta que a aplicação da cerâmica, como todo o trabalho, deve ser conduzida por planejamento prévio onde serão decididas características como a oclusão e a cor pretendida – que por sua vez depende da incidência de luz. 

Foto: Arquivo pessoal Dorival Edson Góis Lopes

É preciso saber qual massa reflete a luz e qual absorve para que na aplicação você vá definindo a dinâmica de luz dentro do dente. Pois esses são detalhes que dão o aspecto natural pretendido quando falamos em próteses dentárias e que devem ser considerados também nessa etapa.

Embora a metalocerâmica seja um material de fácil manuseio, o planejamento do trabalho demanda toda a complexidade que envolve cada detalhe esperado com a peça instalada em boca. O técnico adverte: 

Não é só colocar a cerâmica em sua base metálica. É essencial pensar no mapeamento, na dinâmica da luz. Saber escolher a melhor massa, por exemplo. Mesmo hoje disputando espaço com o Dissilicato de Lítio – que é mais estético, higiênico e  biocompatível com o tecido humano – a metalocerâmica acaba sendo indicada na maioria dos casos. Um grande atributo é pode ser utilizada sobre remanescentes desfavoráveis ao extremo. A cerâmica utilizada geralmente é a Feldspática, que oferece uma naturalidade maior às próteses, apresenta melhor dinâmica de luz e opalescência diferenciada dos outros materiais.

Foto: Arquivo pessoal Dorival Edson Góis Lopes

A anatomia também é um fator importantíssimo e a textura que acompanha cada peça deve ser bem trabalhada, caso a caso.

Na hora das micros e macro texturas o protético pode colocar o trabalho a perder. Sempre explico que estes pequenos detalhes fazem a diferença. Não deixar riscos evidentes é um deles.

Para isso é necessário ter conhecimento mais amplo da anatomia e escultura dental. Ou seja, quanto mais completo um profissional, melhor será o resultado de seu trabalho e seu posicionamento no mercado em que atua. 

Quer saber como adquirir mais conhecimentos? Nós temos uma sugestão abaixo. 

 

Oportunidade de trabalhar a metalocerâmica

Para aqueles que têm interesse em aprender um pouco mais do universo da metalocerâmica o protético Dorival Edson irá ministrar um curso de metalocerâmica para iniciantes na sede da APDESPBR.

Ele irá abordar por completo o sistema metalocerâmico, priorizando a função e o posicionamento certo de cada massa, além de dicas  para o melhor resultado. Já a parte prática terá aplicação de cerâmica em um dente central estratificado sobre coping metálico; aplicação de massas cerâmicas; acabamentos com brocas e borrachas visando a anatomia final; textura e glaze.

Para saber mais acesse >>https://apdespbr.com.br/metaloceramica-para-iniciantes/<< 

“Os participantes podem esperar muita entrega, paciência e troca de informações. Sempre digo que não é porque dou o curso que só ensino, mas sempre aprendo também. No curso não há distinção de nível. Falamos e estamos sempre a mesma altura, iguais, pois somos todos protéticos.” Afirmou quando questionado sobre o que se pode esperar.

Os alunos irão aprender sobre: 

  • sistema cerâmico GC Initial MC; 
  • características dos dentes; 
  • tomada de cor; 
  • micro e macro texturas.
Foto: Arquivo pessoal Dorival Edson Góis Lopes

O ministrante

Dorival Edson Góis Lopes é formado pelo Senac na turma de 2008. Sua busca incessante por conhecimento trouxe oportunidades de realizar diversos treinamentos na Europa, que ampliaram ainda mais sua visão sobre o trabalho protético. Atualmente Dorival dá cursos de cerâmica, enceramento e anatomia dental em todo o território nacional e América Latina, e ainda faz parte do corpo de  consultores técnicos da GC. Mas você tem a possibilidade de encontrar ele na sede da APDESPBR, na capital paulista, então aproveite essa oportunidade! 😉

 

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Maria Fernanda Marques

Gestora de comunicação e marketing na Cairós Humaniza. Especialista em branding, comunicação humanizada e planejamento estratégico. Acima de tudo, apaixonada por gente! E motivada pelas relações humanas e as boas histórias que delas resultam, sobre pessoas e marcas.

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