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ODONTOLOGIA DIGITAL – ALGUNS CONCEITOS

Revista APDESP Informa | edição 203

Entrevista: Claudio Fonseca

Este jovem empreendedor Claudio Fonseca (48) buscou com muito esforço e planejamento se posicionar num novo nicho do mercado, a odontologia digital, mantendo ainda os serviços tradicionais, um porto seguro na fase de transição. Foi um grande desafio, mas a motivação maior ainda.

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“O MARCO DA MUDANÇA”

Escâneres intraorais, associados aos sistemas CAD/CAM já em uso no laboratório. Claudio planejou e ensaiou os processos da mudança. Foram necessários investimentos financeiros e muito treinamento interno e externos (levar conhecimentos aos clientes cirurgiões-dentistas, através processos similares às incubadoras, só liberar, após percorridos todas fases do aprendizado, fato que gerou a confiança necessária para o start do novo momento, utilizando os processos digitais). Estava no ano de 2013.

Um dado importante foi o conhecimento que Claudio detinha na área da informática e também nos processos CAD/CAM de um outro segmento. Aliou-se a este dado, a convite da Sirona, visitou um laboratório em Munique (Alemanha), que atuava com o modelo de negócio que seria implantado aqui no Brasil pelo Claudio, que consistia na locação dos escâneres pelas clínicas, através de um contrato entre laboratório/clínica, sujeito a renovações, de tal forma que as demandas oferecessem vantagens a todas partes envolvidas, incluindo o paciente que estaria recebendo um serviço de excelência, com prazos menores e preços compatíveis. Atualmente Claudio tem vários escâneres cedidos aos clientes e na evolução do processo, outros optaram pela aquisição própria, após estudo de viabilidade financeira que o próprio entrevistado colaborou na formação dos números com os resultados a serem conseguidos.

Hoje, o Laboratório Fonseca realiza cerca de 490 elementos mensais, entre coroas de resina provisórios e definitivos, dissilicatos e estruturas de zircônia, sem a presença de moldagens, modelos de gesso ou impressos, num espaço de 12 m², fora o ambiente de maquiagem. No dia da entrevista, Jhonny, assistente operador havia recebido o arquivo de um inlay/onlay às 12h30 e às 14h o motoboy estava entregando ao cliente. Este tipo de trabalho tem um valor financeiro adicional em relação aos prazos normais, e mostra a adequação do laboratório às circunstâncias de cada caso, sem estresse ou correria, conforme pudemos observar. Acrescente-se aos processos CAD/CAM, mais 300 elementos produzidos sobre modelos de gesso, observando a prevalência dos processos digitais, com tendências de aumentá-los ainda mais.

ACOMPANHE A ENTREVISTA

APDESP Informa: Comente como acontece a odontologia digital com a presença de um laboratório?

Claudio Fonseca: O laboratório tem um papel fundamental no work flow totalmente digital, tendo equipamentos que possam executar os processos, impressora 3D, escâner e fresadora de materiais. Ao receber a imagem do escâner intraoral, geramos o trabalho no software CAD e podemos imprimir o modelo ou não e fresar o trabalho final.

 

APDESP Informa: Como se dá o relacionamento do seu laboratório com seus clientes em relação aos escâneres intraorais?

Claudio Fonseca: Temos dois tipos de relacionamento, os clientes que tem o próprio escâner, e os clientes que tem um escâner instalado pelo laboratório por meio de um contrato de locação. Esse contrato é gerido por uma análise mensal da produção do cliente. Quanto mais trabalhos enviar menor, é o valor pago de locação, podendo até ficar isento.

 

APDESP Informa: Como foi a curva de aprendizado, primeiro o seu e depois o do dentista? E quanto tempo demorou?

Claudio Fonseca: O primeiro contato com sistemas CAD/CAM na prótese foi em 2002, mas em 2013 é que direcionamos para um fluxo totalmente digital, elegemos a empresa Sirona para ser a nossa parceira, e os primeiros trabalhos executados sem modelo físico para checar contatos e adaptação foi como um salto no escuro. Mas aprendemos a confiar nos parâmetros e informações dos softwares, a curva está em se desprender dos conceitos que estão enraizados nos nossos hábitos. Temos que criar novos hábitos. A convite da Sirona, tive a oportunidade de conhecer na Alemanha, um método de trabalho digital, conseguimos entregar um trabalho em 1 hora. O tempo para implantar esse método no laboratório foi de dois meses e quanto ao dentista, da mesma forma, enquanto ficar preso ao que sempre se fez, maior é o tempo de aprendizado. Mas criamos um protocolo para criar a nova rotina. Em três meses no máximo a clínica fica apta a trabalhar de forma digital.

 

APDESP Informa: Tem um tempo médio de aprendizado para dominar a parte operacional do escaneamento na clínica?

Claudio Fonseca: Sim, para operar e realizar trabalhos com escâner intraoral leva no máximo 15 dias, esse prazo seria de um escâner que necessita da aplicação de um pó de contraste, outros equipamentos que não precisam desse pó e o aprendizado se dá em cinco dias. O contrato de locação, prevê envio de imagens diárias capturadas em modelo de gesso, analisamos e corrigimos se necessário. Depois o cirurgião-dentista envia as imagens intraorais, e se a quantidade mínima exigida não for atingida tem a quebra de contrato e o equipamento é retirado do cliente.

 

APDESP Informa: O que não dá para fazer na odontologia digital?

Claudio Fonseca: Essa resposta tem que constar a data e a hora, pois a evolução é constante. O que eu disser agora, daqui a pouco já estará ultrapassado. Mas o gargalo no escaneamento intraoral seria quanto aos preparos subgengivais, pois o escâner não consegue (ainda) capturar a imagem desses limites. Os centros de captura de imagens por tomografia estão fazendo coisas incríveis quanto às cirurgias guiadas de implante, a cada dia os processos evoluem.

 

APDESP Informa: Você teve ideia da “incubadora” no relacionamento CD/TPD. Como funciona?

Claudio Fonseca: A odontologia digital é uma realidade, mas nem todo consultório está adequado a ela. Para tanto, fazemos uma análise do consultório, tipo de material, preparo, prazo, etc. A partir dessa análise, traçamos um plano de negócio, e com pequenas mudanças vamos tornando viável a implantação da odontologia digital de forma ativa no consultório.

 

APDESP Informa: Você utiliza os modelos impressos? Em qual proporção?

Claudio Fonseca: Depende muito do tipo de trabalho, 90% dos casos são elementos unitários, não geramos modelo, seriam 10% nos casos de trabalhos com mais de seis elementos.

 

APDESP Informa: Existe algum tipo de dificuldade para reabilitações totais? Sobre dentes ou implantes?

Claudio Fonseca: Estudos mostram que escaneamento de toda arcada, por ser em arco, existe uma pequena distorção. Mas fazemos uma prova antes e tentamos anular esse fato. Mas como mencionei, a tecnologia evolui a cada momento.

 

APDESP Informa: O que é scan body?

Claudio Fonseca: É um corpo de escaneamento utilizado para informar ao software onde irá posicionar a imagem do implante, como se fosse o transfer utilizado nas moldagens convencionais.

 

APDESP Informa: Tem algum tipo de serviço que é mais executado na odontologia digital?

Claudio Fonseca: Na minha empresa, o foco seria em casos unitários e rápidos, coroas unitárias e facetas nos dentes anteriores. Mas vejo um forte crescimento no planejamento de cirurgias e de casos estéticos, DSD (Dental Smile Design).

 

APDESP Informa: Quanto custa a mais, uma faceta ou coroa estética, realizada digitalmente em relação ao convencional (e.max por exemplo). Fale também sobre os prazos de entrega.

Claudio Fonseca: Ao contrário, custa menos. Pois recebemos o caso pela internet, sem custo da retirada, recepção, etc. Para casos unitários os prazos são normalmente de três dias, urgente 24 horas, expresso 1h30.

 

APDESP Informa:  A odontologia digital está dando retorno de imagem ao seu negócio? E financeiramente?

Claudio Fonseca: Sim, estamos em sintonia com o mercado, isso nos torna competitivos. Temos retorno financeiro, mas tem que se aprofundar na administração pois as margens são reduzidas, os custos são altos.

 

APDESP Informa: A demanda da odontologia digital está aumentando? Qual é o percentual no seu laboratório?

Claudio Fonseca: Houve um crescimento vertiginoso, em 2016 era 30%, 2017 50%, hoje 70% dos trabalhos são executados no CAD/CAM. Nossa meta para 2019 é de 95%.

 

 

APDESP Informa: Existem prós e contras na odontologia digital. Por favor comente.

Claudio Fonseca: A minha formação foi na informática, entrei na prótese na década de 1990, eu sabia das possibilidades, vejo que temos uma grande oportunidade para aproveitar, a nosso favor, essa nova fase. Os processos se tornaram mais previsíveis e dinâmicos. Os custos são altos, mas administrando bem só vejo prós, o contra está na forma de encararmos essa realidade, isso está em nós.

 

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