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Pai da Dentogengival, Juvenal Souza Neto conta sua trajetória com a criação de uma das próteses dentárias mais revolucionárias do mercado

É fácil passar horas escutando as tantas histórias que Juvenal Souza Neto tem para contar. Não é à toa que seus cursos se estendiam muito além da programação. Com vasta experiência na prótese dentária, em especial no que envolve cerâmica e reconstrução gengival, Juvenal nos ensina histórias de vida e persistência.

Nascido na pequena cidade de Avaré, em São Paulo, ainda menino mudou-se para Bauru, onde viveu boa parte de sua vida e deu início à sua carreira de técnico em prótese dental. Depois, morou em Joinville, Santa Catarina, e inaugurou o Instituto Juvenal Souza Neto.

Alunos no Instituto Juvenal Souza Neto, em Joinville – SC, 2019

Atualmente, vive em Nova Iorque, e seu nome carrega reconhecimento e respeito na Odontologia mundial. Mas, antes disso, sua trajetória árdua o fez pensar em desistir da prótese algumas vezes. Confira a seguir alguns trechos dessa história.

 

O início da trajetória

Juvenal ingressou no curso de técnico em prótese dentária em Bauru, em 1986, sem saber ao certo se conseguiria custear as mensalidades. Por 2 anos ele trabalhou como auxiliar administrativo em um escritório para pagar o curso, até perder o emprego e pensar em desistir pela primeira vez. 

Então, para ultrapassar esse obstáculo, decidiu usar suas habilidades de desenho para ajudar a pagar o curso. Os colegas encomendavam reprodução de fotos em gravuras de grafite, e um professor observou sua habilidade manual. Logo depois, ofereceu um estágio em seu laboratório. Este, então, foi seu primeiro trabalho na área, e também foi quando começou a pegar gosto pela arte de fazer dentes.

Sua capacidade de observação e reprodução do natural logo impulsionou sua carreira. Ele conta os diversos desafios que enfrentou na época, onde teve que tomar decisões rapidamente, se adaptando às novas oportunidades que surgiam. Sendo assim, seu anseio de fazer melhor, unido ao trabalho árduo, logo o destacaram no mercado.  Em 1995, Juvenal já tinha um laboratório de prótese conceito, de 800 metros quadrados e 7 funcionários na cidade de Bauru. 

 

Juvenal e funcionários em seu laboratório de prótese dentária, em 1995

Uma reviravolta inesperada

Uma virada repentina na economia, causada pela mudança de cruzeiro para real, foi um baque para seu negócio, que precisou ser encerrado. Decepcionado e desacreditado depois de fechar as portas, Juvenal pela segunda vez pensou em desistir da carreira de técnico em prótese. Desta vez, tinha ideia de se tornar paisagista. Porém, novamente, o seu destino lhe colocou nos trilhos. 

Um dos clientes que ele havia entregado estruturas metálicas insistiu para que Juvenal aplicasse cerâmica nos casos pendentes. Ele concordou em finalizar aqueles casos e decidiu então passar uma semana na clínica do seu cliente. Afinal, ele não tinha mais laboratório para fazer isto, e queria encerrar tudo o mais breve possível. Mal sabia ele que aquele era um novo início, ali começava a carreira itinerante de Juvenal. 

O novo começo e o surgimento da Dentogengival

Nesta mesma época também foi chamado para uma entrevista de um encarte da editora Abril, chamado “Meu Emprego”. Eles selecionaram profissionais promissores na época, e Juvenal foi então para contar sobre a profissão de técnico em prótese dentária. Coincidência ou não, Tomaz Gomes também estava nesta revista. Este episódio foi mais um estímulo para seguir em frente.

Em pouco tempo, a notícia se espalhou sobre um técnico que ia nas clínicas com seu forno e motor e solucionava diversos casos dentro de uma semana. Logo sua agenda estava cheia novamente e seu laboratório agora era uma mala de viagem. Este talvez tenha sido o maior impacto na carreira de Juvenal, que passou a experienciar a profissão junto ao dentista e ter proximidade com as dificuldades clínicas e o resultado gerado na boca do paciente. Esta proximidade com o processo lhe instigou a criar novas possibilidades.

Mas foi com um de seus clientes, o Dr. Darcymar da Rosa, de Novo Hamburgo/RS, que ele acabou desenvolvendo e dando nome a técnica da dentogengival. Apesar de hoje ser bastante conceituado, na época o método era alvo de muitas críticas e descrédito dentre seus pares, dificuldades que Juvenal e Darcymar tiveram que enfrentar para levar adiante a técnica ao mundo científico.

Então a notícia se espalhou pelo mundo. O técnico em prótese que atendia junto ao dentista nas clínicas, projetava as próteses fixas com cera e depois fazia a cerâmica recriando todas as estruturas perdidas de acordo com o natural, sem medo de gengiva e de quantidade de cerâmica para resolver seus casos. Ele juntou a criatividade, arte, ciência e desafiou os materiais presentes na época para tentar alcançar sua vontade incessante de copiar o natural.

Ampliando o conhecimento da Dentogengival no mercado

Nesta época, Juvenal já era consultor da cerâmica Creation by Willi Geller, e nos treinamentos do material conheceu Christian Coachman, com quem estreitou amizade. Christian se interessou em saber como Juvenal trabalhava, e pediu para ele ensinar como fazer a prótese dentogengival. 

Juvenal se dispôs a ensinar o amigo, no entanto, não tinha nenhuma experiência como professor e tampouco uma metodologia bem definida de ações para resolver os casos. A partir daí, surgiu a ideia de criar um curso explorando estes conceitos. Então, Christian Coachman, Guilherme Cabral, Marcelo Calamita, Luciano Rosa e o próprio Juvenal, montaram um grupo chamado Insight, que, em um curso de 12 módulos exploraram novos conceitos de prótese dentária e estratificação de cerâmica. Assim, Juvenal se tornou professor.

Pai da dentogengival e profissionais do mercado da prótese
Juvenal e outros profissionais da prótese dentária, entre eles Honório Massuda, Fábio Fuji, Francisco Mello, Willi Geller, Patrick Schneider e Christian Coachman.

Com uma exploração mais didática da técnica e o livro já percorrendo a Europa, seus trabalhos chamaram a atenção de um dentista de Portugal, que convidou Juvenal a empregar o conceito em sua clínica. Ele, então, se dividiu entre Portugal e Brasil durante 2 anos. Este foi um dos primeiros países em que Juvenal teve oportunidade de trabalhar. Depois deste, vários outros vieram como Bélgica, Itália, Turquia, Espanha, Colômbia, Argentina, Venezuela, Chile…

O contato com a essência do paciente

Com a necessidade de estar dentro dos consultórios, Juvenal precisou cursar Técnico em Saúde Bucal para obter licença e permissão legal para atender pacientes, algo que não queria abrir mão de fazer. E assim, esteve cada vez mais próximo do paciente, buscando informações sobre a pessoa que estava ali, não apenas desejando a reabilitação dentária, mas fazendo um resgate de sua dignidade e sua história, muitas vezes perdida junto com o sorriso.

Prótese dentogengival criada por Juvenal
Prótese dentogengival criada por Juvenal

Ao longo dos anos, ele desenvolveu conceitos e novas maneiras de aplicar a técnica. Criou materiais, como ceras e dentes de cera para fazer seus projetos junto à indústria Formaden (Curitiba/PR). Também desenvolveu acessórios para fotografia odontológica, que lhe permitem avaliar os trabalhos realizados e buscar maneiras de aprimorar. Modificou as técnicas, explorando, por exemplo, muito mais do que os 1,5 mm de espessura de cerâmica descritos nos livros de prótese. Sem o intuito de obter fama, ele apenas aspirava criar ferramentas para alcançar um resultado melhor na recuperação do sorriso dos pacientes.

Aos poucos, aqueles novos conceitos foram se difundindo, e uma necessidade de mercado surgiu, a fim de habilitar mais profissionais a desenvolver o que ele fazia, a empregar suas técnicas. E assim ele treinou  gerações de técnicos interessados em saber como ele aplicava tais conceitos. Com solução de centenas de casos fotografados e muita história para contar, Juvenal percorreu o mundo por anos ensinado como planejar reabilitações orais e fazer gengiva em cerâmica. 

Uma reviravolta esperada – e desejada!

Alguns anos atrás, palestrando na Colômbia, o Mestre Willi Geller na plateia ficou impressionado com o resultado dos seus casos e convidou Juvenal a ser membro do seu renomado grupo internacional Oral Design Foundation. Este convite lhe trouxe ainda mais visibilidade internacional e reacendeu um desejo antigo: falar inglês. Desta vez, a grande reviravolta seria proposital. Por sua escolha resolveu se desafiar uma vez mais e iniciar uma vida no exterior.

Livro publicado por Juvenal Souza Neto e Camila
Livro publicado por Camila e Juvenal analisa casos clínicos com dentogengival

No início deste ano, em Nova Iorque, comemorou o lançamento de seu novo livro, desta vez em parceria com a sua esposa, que impressionada com o material, resolveu organizar os casos e técnicas desenvolvidas nos cursos nestes mais de 25 anos de dentogengival. A Dra. Camila Maia, então, criou um manual didático com conceitos explorados nos cursos do Juvenal, tais como planejamento das dentogengivais, aplicação de cerâmica, manejo clínico e psicológico do paciente, infraestruturas metálicas reduzidas para metalocerâmica, dentre outros. Para cada conceito explorado no livro, apresentam um caso clínico, demonstrando na prática como ele explorou os resultados.

Clique aqui para acessar a venda do livro no site do Juvenal, ou aqui para adquirir diretamente com a editora.

Juvenal fala com carinho dos diversos amigos, parceiros e mestres que teve em sua carreira. Afirma poder contar com pessoas que lhe apoiaram foi essencial para seu crescimento. Para finalizar, deixamos aqui algumas palavras do técnico em prótese que ficou conhecido como o pai das dentogengivais.

A trajetória da Dentogengival em prêmios e publicações

Com o passar dos anos, o sucesso foi sendo representado também por meio de prêmios. Foi em 1998 que Juvenal e Dacymar tiveram o primeiro pôster de caso clínico premiado sobre o tema, no 1º Congresso Internacional de Laser e Novos Recursos em Odontologia. 

Depois, ganharam o primeiro lugar nos painéis científicos do prêmio certificado Guilherme Contesini, onde apresentaram a importância da técnica de incorporação de cerâmica rosa às próteses fixas (prótese fixa metalocerâmica dentogengival) como uma alternativa de tratamento que possibilita a recuperação de defeitos ósseos e gengivais.

Ainda em 1998, apresentaram um painel sobre prótese fixa metalocerâmica dentogengival parafusada sobre implantes Bränemark. E em 1999, do VI Congresso Paulista de Técnicos em Prótese Dentária.

Registro do jornal da APDESP anunciando Congresso
Registro do jornal da APDESP anunciando Congresso, em 1999

Após essas primeiras exposições, vieram várias outras. Em 2003, publicaram o primeiro livro que descreveu as próteses fixas dentogengivais no Brasil, intitulado “Odontologia Estética e Prótese Fixa Dentogengival”, que foi exposto também no 21º Congresso Internacional de Odontologia de São Paulo (CIOSP). Este livro se tornou uma referência na área, e no ano seguinte foi também publicado em espanhol.

Lançamento do livro de dentogengival no CIOSP
Lançamento do livro no CIOSP, em 2003

Como é notável, a descoberta de Juvenal revolucionou o mercado da prótese odontológica, mas os prêmios não são a única indicação desse fato. A prova concreta desse sucesso é o resultado positivo obtido na reabilitação oral de pacientes em todos estes anos, e nos próximos que estão por vir.

Participe do Meeting de Reabilitação Dentogengival

Ideias inovadoras estão sempre se reinventando. Pensando nisso, Juvenal criou o Meeting de Reabilitação Dentogengival, um encontro que traz novidades sobre o tema e o torna mais acessível a todos. O Meeting percorre o Brasil e tem como patronos profissionais da região que fomentam a integração com os colegas de profissão. Sua terceira edição, que aconteceria em maio de 2020, foi remarcada para 1 e 2 de abril de 2022, e você pode fazer sua inscrição clicando aqui.

Essa história é nossa história!

Laboratório de prótese dentária dentogengival
Juvenal e sua esposa Camila no Instituto Juvenal Souza Neto

Não há melhor forma de entender a trajetória das dentogengivais do que com o próprio criador. Essa é a história de Juvenal Souza Neto, o pai das dentogengivais, mas também é a história que ajuda a criar diversas outras na vida de profissionais da prótese e pacientes que são influenciados por essa criação todos os dias. 

Agradecemos a Juvenal Souza Neto por compartilhar essa valiosa história da prótese odontológica brasileira e agradecemos especialmente à Dra Camila Maia, sua esposa, quem tornou possível o desenvolvimento desse texto com a personalidade e a vivacidade que ele merece.

Juvenal Souza Neto criador da dentogengival
Juvenal no congresso da APDESPbr

Da minha vida muito eu perdi. Nestes tantos recomeços e lugares diferentes que tive que estar, sempre me adaptando e me reinventando, percebo que muitas vezes eu vivia uma entrega muito pessoal ao iniciar um caso novo, que me absorvia por muitas horas e deixava de lado minha própria vida. Isto me faz pensar que realmente este trabalho para mim é mais do que uma profissão, é uma missão. Não é simplesmente fazer prótese, mas recuperar vidas e inspirar pessoas.” (Juvenal Souza Neto)

E você, tem alguma experiência com a dentogengival ou seu criador para nos contar? Deixa aqui nos comentários. Estamos abertos para ouvir suas opiniões também nas redes sociais (@apdespbr e /apdespbr). Você também pode acompanhar nossos novos conteúdos pelo Telegram

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Redação Canal da Prótrese

Redação Canal da Prótrese

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