APDESPbr - O CANAL DA PRÓTESE ODONTOLÓGICA BRASILEIRA
Pilares protéticos na implantodontia

Pilares protéticos na implantodontia: conheça 3 sistemas e suas características

Não há dúvidas de que a implantodontia tem revolucionado reabilitações orais desde seu surgimento. Inicialmente indicados para pacientes totalmente edêntulos, os implantes hoje também são aplicados em reabilitações unitárias, por serem um método seguro e reprodutível. Entretanto, para obter um resultado satisfatório, existem etapas importantes a serem cumpridas, como a seleção dos pilares protéticos.

Nesta matéria, vamos analisar três diferentes sistemas de pilares protéticos e entender quais características precisam ser atendidas por um pilar no tratamento reabilitador. A partir dessa análise, poderemos compreender a importância desta etapa no resultado satisfatório de uma reabilitação com implantes.

O conteúdo desta matéria foi inspirado em um capítulo do livro Reconstruindo o sorriso  – ciência, arte e tecnologia, coordenado pelos técnicos em prótese dentária Marcos Celestrino e Munenobu Oshiro. O capítulo que apresenta o tema é intitulado “Materiais restauradores para pilares personalizados na implantodontia”, e foi escrito pelos cirurgiões-dentistas Sérgio da Cunha Ribeiro, Luiz Otávio Camargo e Edmara Tatiely Pedroso Bergamo.

 

O livro está disponível na Editora Napoleão Quintessence. Clique aqui para acessar o site.

Quais funções os pilares protéticos precisam cumprir?

A seleção do pilar é uma etapa fundamental para o sucesso do tratamento, já que a escolha correta permite favorecer a estética, resistência mecânica e a boa adaptação do implante. Quando um pilar reúne essas características, ele cumpre a função de evitar o acúmulo de bactérias e, consequentemente, a infecção dos tecidos. Além de, é claro, oferecer propriedades ópticas favoráveis, principalmente nos dentes anteriores.

Esses, então, devem ser os principais objetivos do protético e do cirurgião-dentista na escolha do pilar. Nesse sentido, as novas descobertas na odontologia têm facilitado, pois, atualmente, existem muitos tipos de pilares. Nessa seleção, o ideal é analisar cada caso, já que os elementos possuem variadas indicações de uso, possibilidades estéticas e, claro, variados custos. 

 

A seguir, vamos conhecer três sistemas de pilares protéticos, e analisar como cumprem as funções necessárias.

Pilares de titânio

“Tradicionalmente, os primeiros pilares a suportarem coroas protéticas foram os metálicos e pré-fabricados, principalmente confeccionados com titânio, devido às suas excelentes propriedades mecânicas e biocompatibilidade” (Livro Reconstruindo o Sorriso)

A característica mais favorável dos pilares de titânio é a grande resistência aos esforços mecânicos. Entretanto, sua opacidade e cor metálica são fatores limitantes na questão estética. Sendo assim, é comum que haja o escurecimento na gengiva marginal em pacientes que apresentam um tecido mole fino. Por esse motivo, pilares de titânio podem ser mais indicados para áreas de baixa exigência estética.

Além disso, de acordo com os autores do capítulo, um outro fator limitante é sua restrição de opção no desenho do perfil de emergência. Ou seja, em uma mudança de perfil entre o provisório e o definitivo, o posicionamento da margem gengival pode ser alterado, comprometendo a arquitetura do tecido e as dimensões da coroa clínica, afetando o resultado do tratamento.

Pilares de zircônia

Os pilares metal-free surgiram como uma alternativa aos de titânio, sendo o de zircônia o pioneiro. Essa tendência foi decisiva para o ajuste estético das peças, já que a zircônia apresentava menor mudança na cor da mucosa quando comparada aos pilares de titânio, mesmo em pacientes com biótipo fino.

Segundo os autores do capítulo, cerâmicas à base de zircônia vêm sendo utilizadas em Odontologia desde a década de 1990. Suas excelentes propriedades mecânicas são uma das razões, além da estética, biocompatibilidade, baixo acúmulo de placa, baixa condutividade térmica, baixo potencial corrosivo e boa radiopacidade.

Entretanto, após revisões, foi analisado que pilares de zircônia, que inicialmente eram utilizados em peças únicas e pré-fabricados, apresentavam uma taxa de sobrevida inferior em comparação com sistemas metalocerâmicos. Enquanto a taxa do metal-free era de 91,2%, os metalocerâmicos apresentavam 95,4%. Isso, é claro, de acordo com cada caso, já que em alguns é preciso considerar os impactos de problemas como o bruxismo.

Além disso, os autores do capítulo apontaram outros inconvenientes: a dificuldade de ligação adesiva da zircônia e o risco de propagação de microfraturas ao desgastar pilares pré-fabricados. 

“No entanto, nestes estudos, as cargas de fratura média para todos os grupos de restauração com intermediários estéticos excedeu as forças máximas de mordida, o que viabiliza a indicação desse material para a confecção de pilares protéticos.” (Livro Reconstruindo o Sorriso)

Contudo, a longo prazo, problemas de fratura em pilares à base de zircônia eram comuns. E foi então que surgiram os pilares híbridos, ou seja, a junção de uma base metálica com um munhão metal-free. Assim, foi possível unir resistência e estética no pilar protético.

Pilares personalizados no CAD/CAM

A possibilidade de personalizar pilares protéticos no CAD/CAM foi revolucionária para a implantodontia. Os sistemas computadorizados permitem a personalização de acordo com a morfologia de cada caso, entregando um desenho mais próximo do ideal e um ajuste satisfatório do implante.

Mas, para que isso seja possível, cada profissional precisa trabalhar de forma criteriosa. Como declaram os autores: “O cirurgião-dentista deve condicionar o tecido com o provisório e, após isso, realizar uma moldagem criteriosa do perfil de emergência a fim de se obter um modelo com reprodução fiel.”

Quanto ao papel do técnico em prótese dentária, explicam: “Já o técnico, faz o escaneamento do modelo de gesso e modela no software um pilar com perfil de emergência que dê suporte ao tecido mole que foi condicionado em boca. Com isso, o resultado final adquire maior previsibilidade e estética de excelência”.

Sendo assim, é possível considerar que os pilares personalizados conquistaram e continuam conquistando um espaço importante em tratamentos reabilitadores na implantodontia. Por facilitarem a adaptação, garantirem estética e propriedades mecânicas, são uma alternativa tendência para o futuro.

Então, qual pilar protético utilizar?

Todos os três sistemas de pilares protéticos apresentados possuem suas próprias características. Para fazer uma escolha adequada, é preciso levar em consideração a necessidade de cada caso, analisando suas indicações, propriedades estéticas e variações de custo.

Se você deseja aprofundar-se nos conhecimentos sobre pilares protéticos, indicamos o livro Reconstruindo o sorriso  – ciência, arte e tecnologia, disponível na Editora Napoleão Quintessence. Lá, você confere cada indicação e limitação dos pilares protéticos apresentados nesta matéria e estudos importantes sobre o tema. Clique aqui para acessar o site da editora.

Estamos unidos aqui na APDESPBR!

Somos a comunidade mais representativa da prótese odontológica na América, e você faz parte disso! Para facilitar essa união, a APDESPBR agora é uma comunidade digital. Na nossa nova plataforma digital, você pode ter acesso ilimitado a conteúdos de todo o mercado. Para acessar mais informações e fazer parte, clique aqui e Seja PRO! 

E claro, não deixe de nos acompanhar e compartilhar suas opiniões em nossas redes sociais (@apdespbr e /apdespbr) e no Telegram. Estamos sempre à disposição para ouvi-los e dividir conhecimentos! 😉

Redação Canal da Prótrese

Redação Canal da Prótrese

Deixar um comentário