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Placa de ronco e apneia pode auxiliar no tratamento de uma a cada quatro pessoas

O ronco e a apneia do sono são problemas mais comuns e mais sérios do que se imagina. Estão presentes na vida de uma  a cada quatro pessoas. No entanto, existe tratamento e é sobre ele que vamos abordar aqui. Seu diagnóstico, indicações clínicas, a integração multidisciplinar e, claro, sobre a confecção de dispositivos intraorais, no caso a placa de apneia, que auxiliam neste processo.

Você, técnico em prótese dentária, dono de laboratório de prótese ou cirurgião-dentista que nos lê agora, entenda melhor esse mercado e a indicação desse tratamento que promove melhorias muito significativas na vida das pessoas. Luiz Fernando Almeida, cirurgião-dentista, e também técnico em prótese dentária, aponta uma tendência no crescimento da confecção desses dispositivos, pois vem sendo comprovada sua eficácia em congressos de otorrinolaringologia e odontologia pelo Brasil.

Juntamente com Rodrigo Corsi, técnico em prótese dentária, nos orientam na produção dessa matéria entusiasmados em transmitir informações de alerta à população e de oportunidade aos colegas de profissão. A dupla atua em conjunto há alguns anos, inclusive como ministradores de curso sobre o tema. A amizade e a condução para essa especialidade é mais um ponto alto dessa matéria, que você acompanha abaixo.

placa de apneia e ronco
Placa PLG confeccionada em curso Foto: Arquivo Pessoal Luiz Fernando Almeida

O diagnóstico 

Longe de ser apenas um incômodo aos parceiros de quarto, ou ao próprio paciente, o ronco pode causar problemas sérios. Além do desconforto social e possíveis danos à saúde física, a interrupção das fases naturais do sono podem provocar irritabilidade, dificuldades de aprendizagem e até aumento dos riscos de acidentes de trabalho – como observa Luiz Fernando Almeida, indicando estatística pesquisada por ele para sua tese na graduação de odontologia sobre o tema.

Segundo Luiz, a apneia é bem complexa e o procedimento ideal é que o paciente procure um otorrinolaringologista e apresente suas queixas. Isso porque é necessário avaliar toda a via aérea superior, identificando casos de sinusite, rinite, tamanho das amígdalas, enfim, tudo que possa estar obstruindo a passagem de ar.  Um médico do sono também entrará nessa fase avaliando o paciente inclusive com exames específicos, como a polissonografia. Há ainda casos em que a queixa vem direto da cadeira do dentista, mas é de extrema importância a integração de diversas especialidades para indicar o melhor tratamento em casos de ronco e apneia. Existem diversos dispositivos intraorais e indicações, para escolher o melhor modelo é preciso estar bem informado.

Ambos destacam a importância da colaboração entre as equipes, unindo a medicina, a odontologia e o trabalho técnico em prótese odontológica para resultados eficazes e conduta ética.

Quando a prescrição vem direto do dentista eu normalmente ligo para saber se o paciente passou pelo otorrino para fazer o caminho certo e verificar se esse é o melhor dispositivo para o paciente. A gente quer que o tratamento seja efetivo. (Corsi)

A Placa PLG foi elaborada por Luiz Godolfim Foto: Arquivo pessoal Luiz Almeida

Sobre o ronco e a apneia 

#bullyingnão #indiqueotratamento

O ronco ocorre quando há um estreitamento das paredes da cavidade oral diminuindo a passagem de ar. Geralmente essas paredes são flácidas e quando elas se estreitam esse ar acaba passando com mais pressão. Essa pressão nas paredes gera a vibração conhecida como ronco. Já a apneia ocorre quando essa passagem de ar se fecha interrompendo o fluxo de ar. Caso em que temos uma apneia obstrutiva do sono. Mas existem três tipos de apneia, por isso é necessário ser bem diagnosticado para que o tratamento seja eficaz, contou Luiz Almeida.

“Se o paciente tem uma apneia ele tem toda uma estrutura de sono danificada” (Almeida)

Luiz, que realizou o trabalho de conclusão de curso da faculdade de Odontologia sobre apneia e ronco, ressalta a importância de realizar todos os estágios do sono sem interrupção. Cada um dos quatro estágios tem sua particularidade onde há liberação dos hormônios do crescimento, reparação muscular e celular; equilíbrio de glicose e pressão arterial, e mais. Afirma ainda que os estágios do sono não são sequenciais e que é necessário realizar esse ciclo entre quatro a cinco vezes por noite. O estágio REM, por exemplo, onde ocorrem os sonhos, é responsável pela reestruturação da memória e assimilação de aprendizagem; predomina perto do período da manhã, e a apneia quebra esse ciclo diminuindo os estágios e os processos de restauração.

A apneia obstrui a passagem do ar, então o corpo tenta recuperar o oxigênio. Isso pode aumentar o ritmo cardíaco e pressão arterial. E caso ocorra com muita frequência é possível até gerar hipertensão, entre outras complicações. (Almeida)

 

O tratamento

O dispositivo intraoral é indicado nos casos de ronco primário (apenas ronco) ou nos casos de ronco e apneia de grau leve a moderado. Nos casos severos não é indicado o uso da placa. Pode haver a indicação de cirurgia, medicamentos e demais tratamentos casados, como emagrecimento, reeducação alimentar, atividade física, entre outros. 

É um dispositivo que eu particularmente gosto muito de confeccionar. É prazeroso saber que vai fazer o  bem para o paciente, que vai dar mais qualidade de vida para o paciente. O qual, se não tratasse, poderia, inclusive, ter diminuída sua expectativa de vida. Então é bem legal estudar e se aperfeiçoar. (Corsi)

Após procurar profissional especializado e identificada a possibilidade de utilização de placa no tratamento o paciente é indicado a um cirurgião-dentista com o pedido de produção dessa peça. Luiz afirma que sua utilização é como a dos óculos, deve ser utilizado sempre. E sem dúvida, durante sua utilização, o paciente recupera a qualidade do sono e percebe grande melhora em sua qualidade de vida.

Normalmente feitas em material termoplástico, acrílico ou PTG, elas podem ser personalizadas caso o cliente desejar. Sua real função é melhorar a passagem de ar na região de orofaringe, evitando o estreitamento ou a obstrução das paredes da garganta. (Almeida)

Entretanto, ainda pode haver possibilidade de indicação cirúrgica para desobstrução das vias aéreas e posterior utilização da placa, com resultados mais satisfatórios. Tudo isso precisa ser avaliado por uma equipe multidisciplinar.

São tratamentos em conjunto. O dentista tem que trabalhar em conjunto com um médico do sono, o dentista não deve se isolar na odontologia. Quando ele se predispõe a trabalhar com ronco e apneia ele tem que estar disposto a ter uma parceria com a medicina, e eu acho que isso tem que crescer cada vez mais. Têm que estar em contato porque ambos tratam de saúde e se complementam. Às vezes, a área que estudamos o médico não tem tanto domínio, então é interessante essa troca de conhecimento, essa parceria entre odontólogos e médicos, e a tendência é crescer mais. (Luiz Almeida)

 

A confecção da placa 

Turma do curso ministrado na APROPAR: Associação dos Protéticos do Paraná Foto: Arquivo Pessoal Luiz Fernando Almeida

O pedido chega a um laboratório através do dentista, que por sua vez recebeu indicação de um profissional da medicina, seja especialista em sono ou otorrinolaringologia, por exemplo.

A placa utilizada no tratamento de ronco e apneia pode ser confeccionada por cirurgiões-dentistas ou técnicos em prótese dentária – em laboratórios de próteses comuns, como os que confeccionam prótese fixa, prótese total e laboratórios de ortodontia.

Luiz Fernando Almeida, como dentista, afirma preferir solicitar a confecção das placas para o profissional técnico. Assim, cada um se dedica com mais esmero em sua atividade principal e o resultado é mais satisfatório. Mas há casos em que o dentista consegue confeccionar a peça em sua clínica, tudo depende de sua habilidade e disponibilidade de tempo.

No caso dos nossos entrevistados o primeiro pedido veio direto de uma otorrinolaringologista, parente de Luiz, que solicitou a confecção ao laboratório de prótese de Rodrigo Corsi. Na época Luiz trabalhava para o Rodrigo e obtinha formação técnica apenas.  Porém os dois afirmam que isso acendeu a vontade de entender melhor sobre o assunto, então, começaram a estudar e a se especializar a medida em que os pedidos aumentavam. E a previsão, segundo eles, é que essa demanda aumente em todo o mercado. Por isso, incentivam outros laboratórios para que insiram essa peça em seus cronogramas de trabalho.

Existiam grupos que trabalhavam com ronco e apneia e eram geralmente mais fechados, tinham seus laboratórios que confeccionavam as placas, agora isso expandiu. Diversos estudos em congressos de odontologia e medicina do sono indicam que os dispositivos intraorais (as placas) estão funcionando super bem para o tratamento de ronco e apneia. Isso faz com que os pedidos da área médica para os dentistas aumente. (Almeida)

Às vezes, os colegas que não fazem me procuram para que eu possa terceirizar o trabalho, mas tenho certeza que a equipe poderia confeccionar, claro que eles iriam precisar fazer um curso para isso. Mas imagino que a demanda por esse trabalho vai aumentar e temos que estar preparados para atender aos clientes e fazer a placa com qualidade. (Corsi)

 

O universo das placas de apneia e ronco

Segundo a dupla existem mais de 80 modelos de placa para ronco e apneia, umas mais confortáveis, outras nem tanto. O motivo se deve por conta de que anteriormente os grupos que pesquisavam sobre o dispositivo criavam seu próprio modelo durante estudo e pesquisa, o que resultou na quantidade existente hoje. Eles utilizam o dispositivo PLG idealizado pelo Dr Luiz Godolfim, pois conseguem um ótimo resultado e conforto ao paciente.

As placas são fabricadas normalmente em termoplástico, acrílico ou PTG Foto: Arquivo Pessoal Luiz Almeida

Existem vários tipos de dispositivo, mas é preciso saber qual deles o seu cliente gosta mais e por qual motivo. Quanto mais soubermos sobre os dispositivos, melhor será a conversa com o clínico sobre qual dispositivo escolher.” (Corsi)

Além disso, deixam claro que existem modelos pré-fabricados, o que eles não recomendam. Uma vez que o personalizado é confeccionado com o molde da arcada de cada paciente e confere, obviamente, um resultado melhor, além de maior conforto.

 

Integração clínico-laboratorial

Quanto mais conhecimento por parte de técnicos em prótese dentária e cirurgiões-dentistas sobre essa especialidade melhor será essa integração. E com isso mais eficácia, melhor produtividade e resultado no tratamento. Conforto e sociabilidade garantidos ao paciente.

Rodrigo ressalta a importância de o dentista conhecer os modelos de placas de ronco e apneia disponíveis no mercado. Porque cada paciente pode apresentar um caso bastante específico e a adaptação pode depender de muitos fatores.

Luiz nos indica o procedimento básico na clínica odontológica para colher informações necessárias ao trabalho técnico.

No consultório é feito o molde do paciente, modelo superior e inferior. Precisamos também de um registro de mordida, já que a placa joga a mandíbula do paciente para a frente, protrusão, para poder melhorar a passagem de ar na região da orofaringe. Esse é o procedimento padrão. Esse registro nós fazemos com um instrumento chamado Mr-Advance, feito pelo Luiz Godolfim, de Florianópolis.

Para o registro nós estudamos a posição da mordida e calculamos a quantidade ideal que ela deve ser conduzida para a frente. A placa precisa ser confeccionada nessa nova posição, possibilitando esse movimento da mandíbula para a frente. Isso para desobstruir a passagem do ar. Com o modelo e o registro em mãos, o pedido segue para o laboratório. O registro da para o técnico a dimensão vertical e o quanto a mandíbula vai para frente. Na solicitação é importante especificar o tipo da placa, já que existem vários modelos. Existem também diversos materiais e eu particularmente gosto do acetato ou do PETG, que são termoplásticos.

Amizade de longa data

Rodrigo Corsi e Luiz Fernando Almeida se conheceram na época em que Luiz era aluno do curso de prótese dentária e Corsi ministrava a matéria de ortodontia na instituição Polígono, localizada em Santo André, SP. Após a conclusão do curso eles trabalharam juntos, no laboratório de prótese de Rodrigo. Depois Luiz montou seu próprio laboratório, mas a parceria continuou firme, inclusive com aulas ministradas em dupla no Polígono.

Como dito acima com o pedido para a confecção de placa de ronco e apneia quando ainda trabalhava no laboratório Corsi, Luiz começou a se interessar mais pelo universo da odontologia.

Vedovato Odontologia, curso exclusivo pra dentistas. 2018 Foto: Arquivo Pessoal Luiz Almeida

O interesse cresceu, comecei  a estudar odontologia do sono e esses dispositivos, para que eles serviam, e assim fazer um trabalho legal. E na graduação eu levei esse diferencial, na época essa era a diferença do meu laboratório, tanto que meu TCC foi em cima de ronco e apneia”, afirma Almeida.

Hoje, graduado em odontologia, trabalha em seu próprio laboratório, e sua parceria com Corsi se estendeu em salas de aula pelo Brasil. Agora ministrando cursos para cirurgiões-dentistas e técnicos em prótese dentária entenderem as especificidades do tratamento de ronco e apneia, suas possibilidades e a responsabilidade de cada área nesse processo. O curso é bastante completo, vale a pena conhecer!

“Somos amigos de longa data, temos uma boa amizade, nossas famílias se conhecem e hoje temos o curso em conjunto” contou Corsi animado. Luiz ainda completa “Temos uma amizade bem firme, somos parceiros até hoje. Foi uma amizade, uma parceria que deu muito certo e vai continuar dando”.

Ambos no aeroporto a caminho do Paraná Foto: Arquivo Pessoal Luiz Almeida

Oportunidade de aprender sobre a confecção de placa de ronco e apneia

A dupla está pronta para compartilhar seus conhecimentos com técnicos em prótese dentária e cirurgiões-dentistas e levar o clima amistoso para dentro do laboratório da APDESPBR.

Precisa de  mais motivos para fazer o curso? 

Rodrigo afirma que as turmas são formadas por cerca de 20 a 40% de dentistas. E que durante o curso eles vão entender melhor o que é a polissonografia, como fazer o pedido, a importância de ter um otorrino parceiro, os modelos de dispositivos intraorais disponíveis e a confecção de uma peça do início ao fim.

Luiz conta que o curso é completo e que dará uma base teórica importante, com orientação adequada de tratamento.

Os alunos podem esperar o seguinte cronograma:

  • História do ronco e da apneia 
  • Conceitos de distúrbio do sono, sintomas, etiologia e tratamento
  • Sono fisiológico, estágios e funções dos estágios
  • Conduta clínica
  • Mordida terapêutica 
  • CPAP
  • Polissonografia
  • Confecção do dispositivo
Congresso Internacional de Prótese Dentária APDESPBR, Expo center Norte, em 2017  Foto:Arquivo Pessoal Luiz Almeida

Saiba mais sobre os ministrantes

Rodrigo Corsi é técnico em prótese dentária formado pelo Colégio Brasília, em São Bernardo do Campo, SP. Tem licenciatura em letras pela UNISEB COC, é ex-professor de Ortodontia do Curso de Prótese – Instituto Polígono de Ensino, Santo André, SP. E atual professor em cursos técnicos de confecção de aparelhos ortodônticos em instituições pelo Brasil. Proprietário do Laboratório Corsi (@laboratorio.corsi), especializado em Ortodontia e Ortopedia Funcional dos Maxilares, São Bernardo do Campo, SP, e Membro da diretoria  da sociedade Brasileira de Orto Tecnologia Avançada (SOBOTA)

Luiz Almeida é técnico em prótese dentária formado pelo Instituto Polígono, em Santo André, SP. Cirurgião-Dentista formado pela universidade Cruzeiro do Sul, especialista em implantodontia. Acompanhou o grupo de estudo chamado Cebdof (Centro de estudo de bruxismo e dor orofacial). Proprietário do laboratório de prótese CRONOS especializado em Ortodontia e Ortopedia Funcional dos Maxilares.

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Redação Canal da Prótrese

2comentários

  • Sou cirurgião dentista, conheço o aparelho plg. Minha esposa usa.
    Tivemos bons resultados.

    • Olá Nivaldo, obrigada por compartilhar com a gente sua experiência com o aparelho, ficamos contentes em saber que estão vendo resultado!