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Resposta à dúvida mais frequente sobre linhas e áreas de transição na anatomia dental

A área de brilho é a região do dente que recebe mais luz, portanto, sua área mais visível. Ela é delimitada por uma linha que na prótese odontológica denominou-se linha de brilho. As duas fazem parte do que chamamos de linhas e áreas de transição na anatomia dental. A linha de brilho é uma espécie de ‘moldura’ desta área de brilho, portanto, grande determinante na forma dos dentes. Mas, há outra área que necessita igual atenção para o sucesso da sua anatomia dental em prótese dentária.

E quando o técnico em prótese dentária vai trabalhar essas áreas? – Sempre!

Como ela é a extremidade da área de brilho, ou área de espelho, a linha de brilho é a responsável por definir a forma do dente. Mas, então, é correto pensar que o protético só vai trabalhar a linha de brilho quando desejar conferir algum efeito na forma do dente criado? – “Não, nós sempre vamos trabalhar essas linhas. E não somente nos dentes anteriores, mas também nos dentes posteriores. Ou seja, o técnico em prótese dentária sempre vai trabalhar a definição das linhas de brilho na anatomia dental.”

Sabemos que a maior exigência estética está nos dentes anteriores, mas é necessário trabalhar as linhas e áreas de transição em todos os casos. Alguns casos vão demandar maior manipulação dessas áreas do que outros, dependendo do espaço protético. (Ana Lídia Ferreira)

Como entender essa diferenciação veremos mais abaixo. Quem afirma é Ana Lídia Ferreira, técnica em prótese dentária e cirurgiã-dentista, especialista em anatomia dental. Ana ministra cursos há mais de 7 anos sobre o tema e afirma que essa é uma das dúvidas mais frequentes dos alunos.

Por esse motivo, esse foi o tema escolhido por ela para a aula online e ao vivo que Ana Lídia Ferreira ministrou em nossa sede e que foi transmitida para todo o Brasil através da nossa nova plataforma digital APDESPBR ONLINE. Seguimos com a produção deste texto baseada em suas explicações.

Mas como está delimitada esta área? Onde ficam as linhas de brilho?

“A área de brilho é delimitada pelas linhas de brilho. As linhas de brilho, por sua vez, se encontram acima dos lóbulos proximais na face vestibular – acima do lóbulo mesial e do lóbulo distal (no ponto mais alto desses lóbulos). A distância entre essas linhas determina, por exemplo, a ‘largura’ do dente. Ele pode aparentar mais largo ou mais estreito dependendo da manipulação desta área.”

Lembrando as definições de anatomia dental, nós temos o lóbulo mesial, o lóbulo central e o lóbulo distal. São os três terços da face vestibular do dente. Em cima dos lóbulos, ou terço, mesial e distal, é que se encontram as linhas de brilho. E as linhas de brilho definem a área de brilho e a forma do dente. Por isso é tão importante sua correta aplicação, não apenas para a simetria ao homólogo, mas para a determinação da forma.

É importante ter essas definições em mente para orientar o trabalho protético quando das criações na reprodução da anatomia dental humana. Visualize, decore, treine e repita quantas vezes for necessário. Abaixo Ana demonstra essa teoria com desenho em um macro modelo.

Atenção à área de sombra!

Análoga à área e brilho temos a área de sombra, onde a incidência de luz é menor. “E é nesta área onde trabalhamos mais intensamente a ‘ilusão de ótica’. Essa área deve receber igual atenção, pois, mesmo trabalhando as linhas de brilho, se a área de sombra não receber o tratamento adequado a forma planejada não será impressa em sua peça protética.”

Fixando as áreas e linhas de transição a serem trabalhadas pelos técnicos em prótese dentária na definição da forma do dente em anatomia dental, temos: a área de brilho, a área de sombra, a área de contato e as linhas de brilho.

#dica: o jeito de segurar o lápis, ou a caneta, quando da definição das linhas de transição é muito importante. Ele deve estar deitado, levemente inclinado, para que o próprio dente sobressaia em cor o ponto mais alto alcançado com o traçado. Nunca percorrer o dente com o lápis em posição de escrita, de cima para baixo, pois assim estaria induzindo uma marcação não correspondente à sua peça.

Fazendo desta forma o próprio dente vai me mostrar a linha de brilho. (Ana Lídia Ferreira)

Essa mesma linha transita para a face palatina do dente. Na face vestibular a linha de brilho está acima dos lóbulos proximais. Na face palatina essa linha se encontra acima da crista marginal. Assim, começamos a dividir o dente em áreas, através das linhas.

Trabalhei a linha da brilho, a área de brilho está igual ao dente homólogo, o que está errado?

Uma das queixas mais frequentes dos alunos é não conseguir o efeito de estreitamento do dente após ter trabalhado as linhas de brilho e verificarem que a área de brilho está com a mesma medida do dente homólogo. Ao que Ana responde: o problema está na área de sombra, provavelmente não trabalhada.

Conferindo área de brilho com dente homólogo

Se a área de brilho está com a mesma medida do homólogo e o dente ainda aparenta estar mais largo do que este, o problema, por certo, está na área de sombra. O dente que você está copiando pode ter uma área de sombra com menor exposição do que a projetada no dente criado.

A exposição da área de sombra deve estar igual, essa é uma área que precisa estar muito semelhante ao homólogo. Determinar a área de sombra é igualmente importante determinar a área de brilho.

No passo seguinte às conceituações necessárias, Ana Lídia exemplificou a determinação dessas áreas e linhas de transição com demonstração do trabalho na bancada.

Iniciou alisando a face vestibular do dente esculpido e retirando qualquer excesso da área cervical. E frisou: “não posso ter excesso nenhum em cima da minha gengiva, porque isso atrapalha a definição da forma do dente e o estudo das linhas e áreas de transição.” Com o instrumental unha de gato, limpou todo o colar cervical. Verificou a inclinação dos três planos e passou para o estudo das linhas.

Você sabia que a área de sombra é quem determina a individualização de um dente para o outro?

Já viu aqueles casos onde os dentes parecem um chiclete de nome famoso, coladinhos uns nos outros? O que faltou ali? – A definição da área de sombra. A individualização que caracteriza naturalidade.

Após o traçado das linhas percebeu-se que a área de brilho estava muito maior do que a mesma área do homólogo (efeito criado intencionalmente para a aula). A solução: desgastar até levar essa linha de brilho da região distal em direção ao centro para reduzir essa distância.

Trabalho feito, nova linha traçada, verificação com compasso seco indicando medida igual ao homólogo e, pronto?! – Não. Ainda temos a impressão de que o dente criado está mais largo do que o central homólogo. Por quê?! É visível que a área de sombra (distal) está maior, é preciso escondê-la. Com um instrumental é feito o desgaste, diminuindo essa exposição.

Definindo área de sombra semelhante ao dente homólogo

Para finalizar o trabalho, as mesmas linhas foram traçadas em ambos os dentes (criação e homólogo) com o objetivo de confirmar a semelhança entre as áreas de transição. Um ajuste final solicitado pela linha distal e, agora sim, finalizamos a peça com as mesmas medidas e impressões.

Peça protética finalizada após definição de áreas de brilho e sombra

#dica: não adianta trabalhar áreas de brilho e de sombra se não trabalharmos corretamente as aberturas das embrasuras. Ou seja, as aberturas incisais, cujos ângulos são diferentes entre os formatos diferentes dos dentes.

A mesma lógica é utilizada para fazer o trabalho oposto, ou seja, alargar um dente – aumento da área de sombra, aumento da exposição.

Participe!

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Redação Canal da Prótrese

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