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Sim, da pra fazer tudo no CAD/CAM, mas o que vale a pena ser feito?

Hoje dá pra se fazer absolutamente tudo na prótese dentária via cad/cam. Mas a grande pergunta é: o que vale a pena ser feito? Esse é o grande questionamento, segundo o professor Vinícius Kiyan.

Isso depende do perfil de cada laboratório e de cada pessoa. Cada um tem um perfil diferente, enquanto personalidade, e clientes diferentes, enquanto laboratório. Então, uns vão optar por fazer determinadas etapas via cad/cam, outros vão continuar de forma analógica. Ainda assim, a forma analógica não acaba nunca, afirma Vinícius. Tem muita coisa pós-cad/cam que é analógico. E temos a opção de fazer de forma analógica por praticidade, por custo ou por opção. Temos sempre que pensar o que de fato vale a pena, completa.

Conheça as possibilidades do sistema CAD/CAM

Após introduzir o assunto com essa chamada para a reflexão, o professor apresentou mais de 21 opções de trabalhos possíveis dentro do software, entre eles: coroa dental, pontes, copings, lentes de contato dental, prótese sobre implante, prótese parcial removível, prótese total, integrações com outros programas, entre outras funcionalidades.

 

Ao citar a prótese total comentou sobre a tecnologia que está sendo desenvolvida nesta área, também em materiais, que vai possibilitar grandes avanços desta especialidade com a tecnologia digital. Além disso, apresentou diversos processos realizados durante o trabalho protético que ganham grande agilidade e maior precisão com o uso do sistema cad/cam.

A partir daqui o professor lança outra pergunta. Qual é, então, a grande vantagem do fluxo digital? Resumindo em palavras: o planejamento, a previsibilidade, que caminha junto do anterior, e a facilidade de repetição. Vamos agora exemplificar ao longo do texto com alguns casos que Vinícius Kiyan apresentou diretamente do software para que você entenda com mais clareza como o CAD está sendo utilizado por laboratórios de prótese dentária que já aderiram a tecnologia digital como parte do processo de suas criações. Ou toda ela.

Este conteúdo foi extraído da aula ao vivo transmitida da sede da APDESPBR para associados de todo o Brasil. E já é parte do acervo da nossa nova plataforma APDESPBR ONLINE. Nesta aula a ideia foi apresentar algumas possibilidades do sistema CAD/CAM para que profissionais, laboratórios de prótese dentária e empreendedores consigam enxergar as melhores oportunidades dentro de suas realidades atuais. Agora vamos às explicações nas palavras do professor Vinícius Kiyan.

O Planejamento e a previsibilidade

As informações digitais são mais complexas e possibilitam um estudo mais detalhado das possibilidades protéticas dentro da cavidade oral do paciente. Dentro do software é possível desenhar o trabalho e apresentar um mockup digital do que seria o trabalho final, muito próximo da realidade. Isso tem auxiliado as clínicas odontológicas a validarem sua proposta junto aos pacientes que se sentem mais confiantes e seguros com a previsibilidade do caso.

Antes e depois digital

Previsibilidade que auxilia e muito, o trabalho dos técnicos em prótese dentária e de cirurgiões-dentistas a integrarem seus conhecimentos e enxergarem as mesmas possibilidades para conquistarem o objetivo comum. Planejamento odontológico mais eficiente e previsibilidade sem dúvida é o grande trunfo da tecnologia digital na odontologia.

A repetição

A facilidade de repetição é fantástica! A repetição não serve apenas para reparar um erro, mas, principalmente, para repetir formatos. Muitas vezes o paciente já está com um dente provisório na boca, por exemplo, e você copia aquele formato do dente para reproduzir em outro material. Eu posso eventualmente fazer uma estrutura em resina para provar ela na boca e depois repetir ela em zircônia. E, claro, também tem a facilidade de repetir alguma peça para refazer o trabalho, corrigindo um possível erro.

Copiando um enceramento

Do analógico para o digital

Neste caso, inicialmente, a dentista queria a peça em metal, mas depois decidiu fazer em zircônia. Como eu já tinha o troquel e o enceramento eu escaneei os dois para ter todas referências digitalizadas. Não tenho antagonista, não tenho adjacente, mas esse trabalho foi feito na mão, por isso eu sei que essas informações estão corretas. Depois disso, então, o passo a passo foi bem simples.

A gente começa delimitando o término do troquel, diferente da forma analógica. Depois de delimitar as áreas de término e ter o eixo de inserção da peça o software dará a opção de alívio (entre a parede interna do coping e o preparo do dente), a área de vedação e demais opções para delimitar o ajuste da peça protética dentro da cavidade oral. O software já prevê a espessura ideal do coping, por exemplo, ele mostra as áreas mínimas e não permite que você erre nesta etapa.

A partir disso já temos a peça pronta para ser impressa ou fresada. Você pode imprimir em resina para fundir em metal, ou para ser injetada em dissilicato de lítio, por exemplo. Ou pode fresar e transformar este elemento em um coping de zircônia, que foi o que eu fiz. Mas esse trabalho é o trabalho mais simples que podemos fazer com na odontologia digital, dentro do software de desenho (no caso o exacad) Este trabalho costuma ser a porta de entrada para trabalhar no cad. Depois de bastante treino, passamos a estruturas mais complexas.

Espelhando um dente

Caso Central Unitário | Antes, recuperando um troquel mal vazado

Além de copiar a forma do dente, como foi dito anteriormente, também podemos espelhar um dente e ter o formato idêntico ao que o paciente já tem em boca. Nos casos de central unitário essa ferramenta pode agilizar muito o trabalho. E nada impede que você faça personalizações depois de ter a forma do dente copiada.

Neste caso, o modelo veio mal vazado e eu tive que vazar o troquel novamente. Depois de escaneado o novo troquel foi sobreposto na imagem até o encaixe perfeito e então começamos. Depois disso eu consegui obter as informações necessárias para prosseguir o trabalho.

Escaneamento de modelo, ajuste oclusal e uso de articulador

Caso placa miorrelaxante

Neste caso a cirurgiã-dentista enviou o modelo de gesso e ele foi escaneado com scanner de bancada para iniciar o trabalho com a tecnologia digital. A partir de então eu usei um articulador, como você usaria de forma analógica. Podemos escolher o tipo de articulador e depois posicionar o modelo como se estivesse posicionando na mesa de camper, por exemplo, e movimentar no software até definir a angulação e ajustes ideais, com as referências utilizadas no trabalho feito de forma analógica. Porém, possuímos, no digital ferramentas extra de visualização da imagem e do resultado final.

A grande facilidade que se tem no digital para este trabalho é o ajuste oclusal. Quem faz esse ajuste de forma analógica sabe o quanto é complicada esta fase do trabalho. Além disso, o toque em oclusão é ajustado de forma muito mais simplificada e ágil. Você consegue acrescentar e aliviar os toques oclusais, acrescentar guia canina, etc, de acordo com as exigências do trabalho final.

Protocolo: eu tenho como padrão conferir a placa miorrelaxante já finalizada no articulador analógico, na mão. Muitas vezes a gente ainda precisa fazer alguns ajustes na mão para entregar o trabalho. A finalização analógica ainda é aconselhável, é o que eu sugiro.

Escaneamento intraoral

Quero mostrar como é legal quando o trabalho parte de um escaneamento intraoral. Esta imagem foi a recebida. No caso de receber o escaneamento intraoral nós já temos muitas informações interessantes para trabalhar. Apesar de a cor do dente não ser fiel, nós já temos as tonalidades, as manchas dos dentes e peculiaridades do paciente. Coisa que no modelo monocromático a gente não tem. Mas temos a opção de trabalhar com os dois para observar detalhes diferentes.

Caso Inlay – impressão do modelo digital para ajuste analógico

Neste caso eu preferi fresar para ter certeza que ele estaria no tamanho certo. Porque se eu imprimisse poderia ter uma alteração de impressão. Então, sempre que é inlay eu prefiro fresar. Além disso, a partir do escaneamento intraoral eu imprimi o modelo para fazer os ajustes necessários em mãos. Depois de ter o dissilicato de lítio fresado eu ajustei de forma analógica até a finalização da peça.

Aqui uma opção de utilizar o escaneamento intraoral para imprimir um modelo e trabalhar os ajustes e obter informações em mãos para outras adequações e analises que sinta necessidade. Até porque esse escaneamento veio com falha e essa foi uma maneira de conseguir extrair as informações que eu precisava para trabalhar com o que eu tinha. (exemplo abaixo)

Ops, falha no escaneamento, e agora?

Tirei um print da tela, mandei pra dentista e mostrei a falha no escaneamento. Neste contexto dei as opções e dividi a minha responsabilidade com ela. Uma opção era refazer o escaneamento e outra era confeccionar o inlay com a informação que tínhamos e depois fazer os ajustes na boca, se necessário.

A gente tem que saber lidar com as limitações dos equipamentos, que estão em constante atualização. Tocamos o trabalho e o ajuste da peça protética não foi necessário. Mas o interessante é que as informações nos possibilitam conversar com o dentista de maneira mais fácil.

Caso Prótese sobre Implante

Qual que é a diferença de trabalhar com o sistema cad/cam na prótese sobre implante? A diferença é que, além do escaneamento intraoral, é preciso fazer o escaneamento de uma referência – chamado no mercado de scanbody (existem outros nomes do mercado). Essas informações das bases metálicas nós temos através das bibliotecas de imagem.

Diversas empresas possuem uma biblioteca digital de suas peças, assim, conseguimos inserir no desenho da prótese dentária para que tenhamos o encaixe perfeito. É necessário uma etapa a mais de escaneamento, tanto de bancada, quanto na boca. Neste caso eu precisava confeccionar os provisórios com barra metálica, então, eu imprimi o modelo que já saiu com as referências ideais para o encaixe do implante dentário, como eu precisava.

 

Vamos finalizar falando sobre os softwares de desenho

Nesta aula o Vinícius usou o EXOCAD, um software odontológico, bastante utilizado no mercado, segundo ele. Mas um software caro para a realidade de muitos laboratórios. Uma outra opção é a utilização de softwares de modelação 3D, gratuitos. Nestes softwares da pra fazer tudo o que foi demonstrado no software odontológico, mas é necessário colocar todas as informações dentro dele. Não há ajustes automatizados e nenhuma ferramenta que auxilie o trabalho nestes softwares de modelação 3D que não são próprios para o trabalho odontológico.

E se despede com a frase:

O digital veio para ficar. Vamos entender suas vantagens, suas limitações, usar como mais uma ferramenta de trabalho. Lembrem-se, atrás da máquina ainda deve ter uma pessoa capacitada apertando os botões.

Então, agora aperta o botão de forma produtiva enviando pra gente a sua experiência com a tecnologia digital ou ainda as suas dúvidas e insegurança a respeito da utilização do sistema cad/cam, ou de alguma etapa do trabalho com a utilização da tecnologia digital. Faça isso através dos comentários abaixo deste texto, ou ainda através das redes sociais.

Até o próximo! 😉

 

 

 

 

Redação Canal da Prótrese

2comentários

  • Sou aluna no Curso TPD – Senac SP – Tiradentes e tenho o privilégio de ter o Vinícius como Professor. Dá um show em suas aulas falando em uma linguagem onde todos possam acompanhar.