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Sobre carreira e montagem com arranjos naturais em prótese total

A aparência das próteses é uma das maiores queixas de pacientes usuários de prótese total e protocolo dental. E a odontologia vem demonstrando uma tendência ao reabilitar seus pacientes com foco não somente na função, mas com a devida atenção à estética do sorriso. Neste contexto, a montagem com arranjos naturais tem se mostrado cada vez mais presente nos trabalhos protéticos.

Isso porque a importância da montagem e a escolha dos dentes em prótese total vai muito além da funcionalidade da peça protética. Esse olhar apurado para essa atividade quem compartilha com a gente aqui nesta matéria é a técnica em prótese dentária e professora Beatriz Vieira. A paulista, natural de Campinas, hoje radicada em Curitiba, se destacou no mercado com a técnica de cimentação passiva em protocolo dental. Agora criou novo curso para compartilhar sua experiência em montagem de dentes com arranjos naturais em prótese total. E esse caminho todo de construção da carreira que ela compartilhou com a gente pode motivar você a fazer aquele algo a mais que está faltando na sua. 

Com mais de dez anos de experiência na área, sua história nessa carreira começou com a iniciativa de uma tia, a cirurgiã-dentista Rogéria Acedo. Beatriz, sempre detalhista, apresentou habilidades manuais desde pequena. Qualidades que despertou a percepção da dentista para um futuro promissor na carreira de protética. O que está se desenhando no momento atual, graças à dedicação e ao compromisso de Beatriz com o trabalho. Então, acompanha essa conversa abaixo, repleta de insights que certamente servirão a você também.  

Carreira construída com esforço e determinação

“Minha tia me levou ao laboratório do Adércio Buche, que ficava dentro do Instituto ILAPEO em Curitiba para conhecer mais sobre a profissão. No início ele não acreditou muito no meu potencial, disse: ‘essa menina não vai durar uma semana, vai sujar a unha e vai querer ir embora’. Porém, o teste inicial que seria de alguns dias se estendeu por seis meses de muito aprendizado e depois fiquei como funcionária por quase 10 anos”, conta ela.

No período de teste que durou seis meses trabalhou sem nenhuma remuneração: “fiz amizade com o pessoal do laboratório e sempre oferecia ajuda vendo a possibilidade de aprender alguma coisa nova… Na cerâmica eu ajudava o pessoal a passar opaco, no gesso eu recortava os modelos, jogava cera nas próteses totais pro pessoal esculpir… E eu fui gostando tanto de tudo isso que eu nem via a hora passar”, explica.

Seis meses depois, já tendo iniciado o curso técnico em prótese dentária, foi contratada por Adércio Buche na área de cursos. Era a representante do laboratório nos cursos de aperfeiçoamento e especializações para dentistas. “Meu trabalho era basicamente preencher ordens de serviço, levar as caixinhas dos pacientes nas clínicas, anotar as ordens de serviço e levar de volta ao laboratório.”

“Essa oportunidade de acompanhar a prova dos trabalhos em boca dentro das clínicas odontológicas me ajudou muito. Eu posso dizer que eu fui muito privilegiada, porque acompanhar isso e ver essa relação do dentista com o paciente foi muito importante para eu entender as dificuldades do dentista, suas principais queixas. Além disso se precisasse fazer algum ajuste, polimento, ou provisório, eu mesma fazia ali na hora, e assim fui ganhando experiência, relembra Beatriz.”

No final do curso técnico, após dois anos, o Laboratório abriu vaga para contratar alguém para o setor de resina para prótese total e protocolo. Beatriz não deixou a oportunidade passar: “Todos os dias ia alguém fazer teste, ficava o dia todo fazendo montagem, acrilização … então eu decidi pedir pra ele me dar essa chance.

Falei: não precisa contratar ninguém de fora, deixa eu mostrar que eu consigo fazer. Sempre que eu podia aprender alguma coisa eu estava ali, ficava até tarde. Reconhecendo o meu esforço ele me deu a oportunidade! E então comecei a trabalhar na área de prótese total, fiz alguns cursos desta especialidade na época e fiquei lá por quase 10 anos.

A técnica em prótese dentária afirma que esse período lhe trouxe muito conhecimento técnico e científico por estar dentro do ILAPEO. Onde tudo era muito pesquisado, testado, principalmente o trabalho de adaptação da barra metálica para protocolos dentais. Nesse período eu fiz mais de 2 mil protocolos.” 

Em 2015 Beatriz montou um laboratório em parceria com sua tia, cirurgiã-dentista. Inicialmente era a única protética, depois o laboratório de prótese foi crescendo e ampliando a equipe. Hoje, em parceria com seu noivo, Ginetom Rodrigues, montou um instituto, um centro de cursos, junto com o laboratório de prótese em Cascavel. “Eu faço a parte de resina e ele a parte de cerâmica dental, trabalhamos apenas com protocolo dental e prótese total”, explica.  

Experiências que fizeram a diferença na vida profissional

Eu errei muito. Fiz muita coisa errada e aprendi muito com os meus próprios erros. Acho que a maior dádiva da vida é o aprendizado. Uma coisa que eu falo pros meus alunos é: aprenda com os erros! Mas de preferência com os erros dos outros (rs). O que a gente puder pular etapas e cortar caminhos, melhor. Por isso a gente faz curso, aprende técnicas e macetes que alguém levou anos para desenvolver. Absorve também das experiências dos outros.

Beatriz conta que muitos dos seus erros foram por falta de conhecimento. E cita um exemplo. Por muitos anos quando da polimerização de resina fez acrilização sem deixar nenhum minuto de prensagem, colocando direto na água fervendo. Na especialização em prótese total que fez em São Paulo, viu que isso estava errado. “Nesse curso aprendi a respeitar o tempo de prensagem, que é de 12 horas. A fusão da resina acontece a 73 graus celsius e a fervura é muito mais que isso. E isso não é legal pra resina, é prejudicial. Esses detalhes me fizeram querer melhorar cada vez mais o meu trabalho”, contou. 

Mas, mesmo assim, em sua visão, seus trabalhos ainda não estavam perfeitos e ela não se sentia totalmente realizada. “Eu não estava satisfeita, e ainda não conseguia reproduzir próteses com tanta naturalidade. Lembro que eu via as fotos dos meus trabalhos em boca e ainda não parecia tão natural”, relembra ela. Beatriz afirma que aprendeu muita coisa com seu noivo, especialista em protocolo cerâmico, sobre como conseguir um resultado mais natural.

Observava como ele fazia na cerâmica e reproduzia na resina.

Assim foi desenvolvendo sua própria metodologia de trabalho de acordo com toda experiência adquirida. Até que chegou em um ponto onde começou a gostar mais de seus resultados. Então veio a vontade de registrar seus trabalhos. E de publicá-los também.

As multifacetas do profissional da prótese dentária

“Eu comecei a divulgar mais o meu trabalho nas redes sociais. Comecei a tirar fotos melhores, a buscar aprender mais sobre isso também.  A fotografia é essencial, e ter a oportunidade de fazer um curso de fotografia faz toda a diferença. Isso para conseguir transmitir uma riqueza de detalhes ao divulgar seu trabalho. São as fotografias que vendem, que encantam. Por que o que adianta você fazer um lindo trabalho, ter conhecimento, e não divulgar isso? Ninguém vai saber”, explica. 

Depois disso começaram a chegar os convites para ministrar aulas e palestras. E a técnica, que morria de vergonha de falar em público, buscou ajuda profissional para se sentir mais segura nessa nova etapa. 

Fui fazer curso de oratória, curso de inteligência emocional, fiz também consultorias com profissionais dessa área. Até que comecei a dar palestras, e não foi fácil, viu?!”, relembra aos risos. “Foi aí eu que notei que poderia ajudar outras pessoas a não cometerem os mesmos erros que eu já havia cometido. A superar aquela fase difícil que eu já passei. E conforme eu ia ajudando as pessoas eu via que elas também conseguiam evoluir e ter bons resultados. Isso me acendeu ainda mais.

E sobre a versatilidade na carreira e característica de profissional multifacetado Beatriz acrescenta: “Não basta ser um bom técnico. Você tem que ser gestor, bom administrador, comunicador, fotógrafo. Não basta fazer um bom trabalho e ninguém saber. Para que as outras pessoas saibam do seu trabalho bem feito, é preciso saber se comunicar e as redes sociais estão aí pra isso. Essa é uma grande chance de mostrar o seu trabalho. É importante abrir os olhos para esses outros setores que não são da prótese dentária, mas que faz a diferença na nossa profissão”.

Com tanta garra e determinação, quem aqui ia ligar para unha suja no começo da carreira, não é?! Beatriz foi mostrando seu compromisso com a profissão e com o seu futuro, que foi se desenhando com arranjos definidos em seus próprios esforços. E hoje, quem a acompanha nas redes percebe o quanto o mercado da prótese dentária está reconhecendo esse valor. Sua presença em cursos pelo país começou a crescer, e agora segue esse caminho, sem barreiras, nas ondas do universo digital. 

Mercado da prótese odontológica 

Beatriz Vieira acredita que estamos na melhor fase da profissão de técnico em prótese dentária. “Estamos conseguindo ter mais reconhecimento, visibilidade, mais acesso à informação. Hoje com as redes sociais é muito mais fácil, tem muita gente disponibilizando conteúdo, dando aula. As lives ajudam muito também, e isso capacita cada vez mais o técnico. Com mais acesso à informação ele tem oportunidade de desenvolver um trabalho bem melhor.” 

Os materiais também estão cada vez melhores. As resinas estão evoluindo, estão chegando resinas de alto impacto, resinas altamente resistentes, resinas com uma beleza incomparável. Os dentes artificiais também estão sempre em evolução, mudando de acordo com a necessidade do mercado. Gessos cada vez mais precisos, como gessos de zero expansão. É um mercado que só tende a crescer cada vez mais, opina.

Montagem com arranjos naturais em prótese total

A estética que envolve o arranjo dos dentes de uma forma natural e a caracterização gengival, proporciona harmonia da boca e da face. O tamanho, a cor e a forma dos dentes são fatores muito importantes para a seleção correta dos dentes artificiais. Mas além disso, a disposição dos dentes nos arcos é um fator imprescindível para uma prótese mais natural.

Dentes artificiais deveriam ser fabricados exclusivamente para cada pessoa em particular, mas para conseguirmos uma maior naturalidade devemos nos atentar aos arranjos do arco dental, imprimindo à dentição um selo de individualidade, de acordo com características naturais existentes ou a características faciais do indivíduo.

 A escolha da montagem dos dentes com arranjos naturais dependerá do bom senso do profissional. Arranjos moderados ou mais intensos dependem da necessidade e vontade de cada paciente. Mas essa personalização aumenta a chance de aceitação do tratamento, satisfação do paciente e facilidade de adaptação, visto que o convívio e a aceitação social dependem de uma harmonia facial. 

As pessoas às vezes montam os dentes como se fossem teclas de piano, todos perfeitinhos, retinhos. O que dá um aspecto artificial para a prótese. Se você montar com arranjos naturais, observando características de bocas naturais, consegue uma maior naturalidade, que tem uma ótima aceitação do paciente, explica ela.

Por isso a montagem dos dentes em uma prótese total é uma etapa igualmente importante. São técnicas que se somam: a escolha do dente ideal, com base no visagismo; o posicionamento dos dentes na montagem; a caracterização da gengiva. Tudo isso confere um resultado muito melhor dos trabalhos protéticos. 

Sobre os arranjos naturais em prótese total (por Beatriz Vieira)

Para os encarregados da missão de restaurar a dentição natural, a simples imitação das características é inadequada para se atingir a naturalidade em cada caso especial. Para a elaboração de trabalhos protéticos que necessitam de gengiva artificial, é necessário levar em consideração a forma dental, o biotipo gengival e a posição dental.

O enceramento caracterizado, uma da etapas deste trabalho, consiste em reproduzir as estruturas internas, como a tábua óssea, coloração de gengivas de dentro pra fora, que também ajuda a conseguir um resultado mais natural, o que faz total diferença nos trabalhos. Dessa forma o técnico consegue se destacar, fazendo um trabalho bem mais próximo do real.

Gengiva livre ou Gengiva marginal 

Circunda os dentes em forma de colarinho, contorna toda cervical do dente na junção cemento esmalte,  como se fosse um espaguete na cervical dos dentes, com uma superfície rosa e fosca, sua altura varia de 1 a 2 mm  

Gengiva inserida 

Está localizada entre a gengiva livre e a junção muco gengival. Tem consistência firme, resistente e fortemente aderida através de fibras colágenas  ao periósteo que recobre o osso. Estende-se até a junção muco gengival em uma faixa de 3 a 4 mm. A cor pode variar rosa claro para raça branca ou marrom escura para raça negra. Apresenta uma textura pontilhada semelhante a casca de uma laranja em 40% dos adultos.

Mucosa alveolar 

É delimitada pela junção muco gengival até o fundo de vestíbulo da boca. É uma área de tecido flácido  que apresenta maior irrigação sanguínea e estrias verticais. 

Em busca por uma melhor escultura gengival em trabalhos protéticos como próteses totais e protocolos, diversos autores têm estudado a relação entre a forma dental e o biotipo periodontal a ser confeccionado.

Biotipo periodontal é o conjunto de características das estruturas de suporte e proteção dos dentes, ou seja, do osso e da gengiva. E a relação entre a forma da coroa dentaria dos dentes anteriores superiores e as características morfológicas da gengiva. Os pacientes que possuem dentes mais quadrados possuem faixa de gengiva inserida larga, papilas interdentais mais curtas e curvatura gengival cervical menos acentuada. Os pacientes que possuem dentes mais alongados possuem faixa de gengiva estreita, papilas interdentais mais alongadas e curvatura gengival cervical mais acentuada. Cita o exemplo e o livro “Reconstruindo o sorriso – capítulo 2 – Anatomia e escultura gengival.”

Disposição dos dentes

A disposição dos dentes anteriores é um fator que influencia na estética da prótese, resultando em um aspecto mais natural. Frush & Fisher, na década de 1950, publicaram artigos relacionando sexo, idade e personalidade.( clonagem terapêutica para próteses totais e overdentures. Osmar Castro e Tomaz Gomes)  

Tipos de Montagem de dentes anteriores 

 Clássica: essa montagem apresenta desníveis entre as bordas dos incisivos centrais e laterais correspondendo aos arcos dentais de indivíduos na primeira fase da maturidade 

Com toque masculino: incisivos centrais superiores eram expostos, projetando-se o lado distal para a vestibular e os incisivos laterais superiores deslocados para palatino. Salientando os incisivos centrais e os caninos, a montagem torna-se mais agressiva. 

Com toque feminino: a distal dos incisivos centrais superiores ligeiramente deslocadas para palatino e os ângulos mésio-incisais dos incisivos laterais sobrepostos sobre a vestibular dos incisivos centrais, evidenciando os incisivos laterais superiores.

Montagem senil: as bordas incisais dos incisivos centrais superiores ligeiramente deslocadas para palatino e os ângulos mésio-incisais dos incisivos laterais superiores e caninos são desgastadas, deixando os dentes com ângulos mais vivos e nivelados, simulando abrasão (Alessandro Gamero)

Todo esse estudo se deve ao fato de existir um fator emocional importante em usuários de próteses dentárias, especialmente de prótese total. Portanto, é imprescindível a busca pela melhor adaptação da peça protética na cavidade oral dos pacientes. A melhor aceitação faz com que o resultado do trabalho técnico seja percebido de maneira diferenciada. Com isso a procura por seu trabalho aumenta e sua valorização financeira e profissional é uma boa consequência dessa dedicação. Pacientes e profissionais mais satisfeitos, é por essa prótese que trabalhamos. 

 

Oportunidade | Curso de Montagem em prótese total com Beatriz Vieira

Aos que desejam se destacar nessa área, tomem nota. Beatriz em breve ministrará um curso na APDESPbr com o tema : ‘Montagem com arranjos naturais e ceroplastia gengival em prótese total. Segundo ela, o diferencial desse curso é que os profissionais aprendem a desenvolver peças muito próximas da realidade. 

>> Nesse curso será realizada a montagem dupla balanceada com arranjos naturais e ceroplastia caracterizada baseada nas estruturas internas para conseguir um resultado mais natural da morfologia gengival. Superior prótese total e inferior protocolo sobre 4 implantes. 

Se o técnico consegue reproduzir a estrutura gengival naturalmente, ele vai conseguir um resultado mais bonito esteticamente, que dará mais visibilidade aos seus trabalhos. 

 

Não esqueça que só a prática vai te levar à perfeição, então é preciso estudar e estudar muito. Na APDESPbr, a Beatriz ministrará esse curso nos dias 11 e 12 de setembro, em nossa sede, em São Paulo. A sede fica na Av. Brigadeiro Luís Antônio, 2050, 13º andar. Próximo ao metrô Brigadeiro, na Av. Paulista.

Para mais informações, acesse o link do curso, que tem inscrições para sócios e também para não-sócios da APDESPbr. 

E lembre-se: se a sorte te encontrar trabalhando vai te dar um empurrão rumo à prosperidade. 😉

Redação Canal da Prótrese

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