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Técnica da pintura interna: um método simplificado para trabalhos cerâmicos

Não há como negar que a busca por tratamentos odontológicos estéticos é crescente. Essa realidade tem trazido à tona uma necessidade em comum para laboratórios de prótese dentária: o conhecimento de técnicas de pintura que ofereçam naturalidade às peças protéticas. A técnica da pintura interna é uma dessas alternativas. O que você sabe sobre ela?

Nesta matéria, vamos apresentar suas características, porque utilizá-la e as vantagens que oferece para o técnico em prótese dentária em trabalhos cerâmicos. 

 

Este conteúdo foi baseado em um trecho do livro Reconstruindo o Sorriso – ciência, arte e tecnologia, coordenado pelos técnicos em prótese dentária Marcos Celestrino e Munenobu Oshiro. O tema foi extraído do capítulo 3 do livro, escrito pelo MDT Giovani Gambogi Parreira e o CD Paulo Bernardo Costa Gambogi Parreira. Caso você tenha interesse em conhecer o livro, ele está disponível na Editora Napoleão Quintessence. Clique aqui para acessar o site.

Por que utilizar a técnica da pintura interna?

A pintura interna (Internal Live Stain) é uma técnica desenvolvida por Hitoshi Aoshima, e tem como principal vantagem sua praticidade, podendo ser realizada até mesmo por técnicos em prótese dentária iniciantes. De acordo com os autores do capítulo do livro, ela é uma junção simplificada da pintura externa e da estratificação policromática, que exigem muita técnica para serem bem feitas.

“A pintura interna (ILS Notirake®) possui a vantagem da praticidade presente no uso da técnica da pintura externa, aliada à reprodução tridimensional das características ópticas dentais presente na técnica da estratificação policromática” (Livro Reconstruindo o Sorriso)

Então, a técnica da pintura interna é uma alternativa facilitadora, que auxilia na previsibilidade, individualização e mimetização de trabalhos cerâmicos. 

Análise das características do dente – o primeiro passo para a técnica da pintura interna

“O dente que vemos é resultado de reflexão, difusão, absorção e transmissão que ocorrem entre a luz e os tecidos dentais (esmalte/dentina)” (Livro Reconstruindo o Sorriso)

Sendo assim, sabemos que a frequência e origem de luz podem influenciar na forma como enxergamos o dente. Além disso, é possível notar que há uma sensação distinta de cores quando observamos um dente. De acordo com os autores, essas cores possuem três propriedades muito importantes para compreender técnicas de pintura: matiz, croma e valor. Veja abaixo o que cada uma delas representa:

  1. Matiz – determina a cor no dente e está relacionada à dentina. Essa característica é melhor interpretada na região cervical, onde a dentina é mais preponderante em relação ao esmalte.
  2. Croma ou intensidade da cor – Essa característica depende da dentina e da espessura do esmalte, podendo ser alterado ao longo da vida.
  3. Valor – é dimensionado pela presença do branco ou cinza e afetado pela qualidade e transparência do esmalte. A fotografia em preto e branco auxilia na avaliação do valor.

“Em uma escala de cor convencional, a seleção de matiz e croma são realizadas tendo os terços cervical e médio do dente como parâmetro. A cor do esmalte é selecionada utilizando-se a incisal da escala coincidente com a incisal do dente.” (Livro Reconstruindo o Sorriso)

Entender as propriedades de morfologia dental e luz em interação com o dente é fundamental para saber distinguir a pintura interna e a externa. E, apesar de escalas de cor auxiliarem nesse processo, é importante lembrar que a visualização de características individuais do dente depende da experiência e visão do profissional. 

 

A técnica da pintura interna

Seleção de cor

O comparativo entre as escalas de porcelana e o dente servem para selecionar o matiz e o croma. O valor pode ser visualizado por meio da escala 3D Vita®. Segundo os autores do capítulo do livro, as câmeras digitais podem auxiliar muito nesse processo. Entre as vantagens de utilizar esses equipamentos, estão a possibilidade de comparar o dente com a escala após o fim da sessão e a observação de detalhes intrínsecos e extrínsecos.

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Entretanto, os autores alertam que as escalas de cor raramente corresponderão à cor do dente de forma exata. Isso porque foram desenvolvidas sem características tridimensionais, com o objetivo de auxiliar na definição do matiz principal.

Aplicação das dentinas 

“As porcelanas de corpo (dentinas) devem ser aplicadas junto às massas incisais (esmaltes), de acordo com a seleção de cor, e podem ser a base da pintura interna.” (Livro Reconstruindo o Sorriso)

Além disso, existe a possibilidade de adaptar para cada caso clínico. Assim, a pintura intrínseca pode ser realizada sobre opacos queimados, infraestruturas injetadas e infraestruturas de zircônia. 

Uma outra vantagem da técnica da pintura interna é que a queima pode ser feita em duas fases. De acordo com os autores, isso possibilita um maior controle sobre a caracterização da estrutura de dentina. Então, na primeira fase, são feitas características como manchas, faixas, ajustes de croma, mamelos incisais, etc. Já na segunda fase, são realizadas as linhas de trincas. 

“Utilizando esta técnica, é possível que um técnico sem muita experiência consiga bons resultados, uma vez que simplifica inclusive a escolha das massas, por não exigir a diversidade de opções que a estratificação policromática requer.” (Livro Reconstruindo o Sorriso)

Aplicação dos pigmentos

Nesta etapa, é necessário compreender que os índices de translucidez e valor dependem da construção da dentina e da camada de cobertura. Sendo assim, a pintura interna poderá ser utilizada para realizar pequenas correções de matiz depois da queima estrutural de dentina e incisal. Além disso, ela pode aplicar os primeiros efeitos que serão responsáveis por proporcionar tridimensionalidade e naturalidade ao resultado da peça protética.

Diversas possibilidades para trabalhos cerâmicos

Existem diversas técnicas de pintura para trabalhos cerâmicos, a técnica da pintura interna é apenas uma delas. O protético deve optar por aquela que tem maior domínio e familiaridade. Entretanto, é importante lembrar que a prática leva aos melhores resultados, sempre.

Apresentamos aqui uma introdução à técnica da pintura interna, mas no livro Reconstruindo o Sorriso você encontra informações como a utilização do kit de pinturas intrínsecas e cerâmicas de cobertura. Além disso, confere as possibilidades de pigmentação de zircônia e representações de casos clínicos.

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Fonte: Livro Reconstruindo o Sorriso – ciência, arte e tecnologia | Capítulo 3, autores Giovani Gambogi Parreira e Paulo Bernardo Costa Gambogi Parreira.

Redação Canal da Prótrese

Redação Canal da Prótrese

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