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Tecnologia digital na odontologia: entenda a usabilidade e as possibilidades de investimento

Que a tecnologia veio para ficar, todo mundo já sabe. Temos a ciência de que não se trata de um movimento que vem e depois passa. Na odontologia, sabemos que toda essa tecnologia disponível para uso nos procedimentos em consultórios, radiologias e laboratórios de prótese, não é apenas uma mera perspectiva para o futuro. Exemplo disso é que em algumas Universidades já se faz presente o uso dessas tecnologias em procedimentos relacionados à confecção das próteses em Work Flow digital disponíveis para os seus alunos. Tanto em cursos de graduação quanto em cursos de atualização e de especialização. A Universidade de São Paulo – Usp – é uma delas.

A chamada odontologia digital avança cada vez mais no Brasil, e entre seus inúmeros benefícios entram a otimização de procedimentos que antes demandavam muito tempo. Como a criação de um dente de porcelana – que agora pode ficar pronto em até 2 horas.  (em casos específicos e agendamentos previamente realizados). A tecnologia se torna aliada do profissional, a assertividade é muito maior e o paciente sente menos desconforto.

O Canal da Prótese conversou com o CD e TPD Claudionor Aranha que é especializado em prótese estética e implante, com larga experiência em Work Flow Digital. Ele falou sobre a aquisição ou locação de equipamentos, sobre o planejamento dessa atividade nos laboratórios de prótese dentária ou clínicas odontológicas e as diferentes possibilidades para a aplicação da odontologia digital. Confira aqui.

Uso e investimentos

Hoje em dia, profissionais como dentistas, radiologistas, técnicos em saúde bucal, técnicos em prótese dentária habilitados, fazem uso dessas ferramentas para otimização dos procedimentos. Os benefícios são percebidos por todos os envolvidos. Promovem mais agilidade na entrega do serviço e conforto aos pacientes. Aos laboratórios de prótese e clínicas odontológicas um controle de qualidade mais apurado e aumento na produtividade e na qualidade da integração.

Muitos profissionais acreditam que nesse novo contexto de mercado são necessários grandes investimentos, mas a realidade não é bem assim.

A remodelação tecnológica é global, as empresas e os profissionais precisam trabalhar para disponibilizar modelos viáveis e competitivos de acordo com as necessidades dos novos empreendedores, e os investimentos são bem menores nesses casos. (Claudionor Aranha)

Palavras do cirurgião dentista e técnico em prótese dentária Claudionor Aranha, quem garante que as possibilidades para os novos empreendedores participarem desse movimento inovador são reais: “a remodelação do mercado está acontecendo nesse exato momento, não podemos ficar de fora”.

Informatização

Essa conectividade, na odontologia digital, trata-se de um fluxo de trabalho que pode ser totalmente ou parcialmente digital, com uso de ferramentas que estão disponíveis e ao alcance de todos. Scanners Intra-orais, Softwares para desenhos (CAD), Softwares para comunicação com as fresadoras (CAM) e também para se comunicar com as Impressoras 3D, são alguns dos exemplos que podemos citar de equipamentos e dispositivos. Com eles, os profissionais poderão realizar os trabalhos de uma forma bem produtiva e fazer parte deste novo contexto que se apresenta aos profissionais na odontologia agora em processo digital. E poderão fazer isso por meio de parcerias estabelecidas no mercado que possuem investimento bastante convidativo. Veja mais abaixo no tópico ‘Como iniciar na odontologia digital? – Possibilidades’

Scanner para clínicas e laboratórios – onde tudo começa

É através do processo de escaneamento que digitalizamos o material para dar início ao fluxo de trabalho digital. Esse escaneamento pode ser realizado diretamente na boca do paciente, com o Scanner Intra-Oral, utilizado nas clínicas odontológicas. Ou pode ainda, em processo parcialmente digital, ser realizado na bancada dos laboratórios de prótese dentária, com a digitalização dos modelos de gesso enviados pelos cirurgiões-dentistas. Portanto, temos dois modelos de scanners, o Scanner Intra-oral e o Scanner de bancada. O arquivo escaneado é transmitido digitalmente para o laboratório de prótese, com as informações necessárias à realização do trabalho protético. Ou se já escaneado no laboratório, para o software de desenho ou às empresas parceiras que realizarão essa etapa do trabalho. (entenda mais sobre essas parcerias no tópico ‘Como iniciar na odontologia digital’)

Sobre o CAD-CAM

O CAD-CAM (Software e Fresadora) foi o primeiro sistema a surgir no mercado e a ser usado para projetar e fabricar protótipos, produtos acabados e também processos de produção.

CAD significa computer-aided design, desenho assistido por computador, na tradução livre. Ele é o software usado para fazer o projeto, os desenhos que serão impressos (Impressoras 3D) ou fresados (CAM). O significado de CAM é computer-aided manufacturing, que em português é manufatura assistida por computador. O projeto desenhado no CAD é enviado para a fresagem (CAM) em material que pode ser cerâmica, pmma, cera, metal, zircônia, resina, entre outros. O processo de fresagem é bastante versátil. Um ponto negativo é que o software utilizado nessa comunicação entre o CAD e as fresadoras têm um valor de aquisição muito alto. Um software completo, com todos os módulos, pode chegar aos 80 mil reais, mais os custos mensais ou anuais de utilização, conforme o contrato com o fornecedor. (Existem opções de softwares mais baratos, próximos de 25 mil reais, mas não estarão disponíveis todos os módulos de desenhos para realizar todos os projetos relacionados a próteses).

Sobre as impressoras 3D

Como já escrito acima, o mesmo projeto desenhado no CAD pode ser enviado para o receptor das Impressoras 3D. Porém o uso da impressão 3D na odontologia ainda é limitado. Podem ser feitas coroas, copings, placas de bruxismo, guias para cirurgia guiada, modelos, troqueis, mas tudo em resina. Não possui a versatilidade das fresadoras. No mais, funciona da mesma forma. Exemplo, a mesma coroa que você projetou no CAD para ser fresada pode ser enviada para a impressora 3D e ela imprime o material, porém, em resina (especial, desenvolvida para esta finalidade).  A impressora também tem um software de recepção desses desenhos.

Hoje existe uma grande variedade de opções de impressoras 3D no mercado, com valores que variam entre 3.000 a 150 mil reais. Atende de baixa à alta qualidade no que diz respeito à produção das peças direcionadas à odontologia. Neste caso, o que deve ser levado em consideração são as necessidades de cada profissional e os procedimentos que o mesmo realiza.

“Uma das vantagens que pode ser citada aqui é que o software de desenho utilizado na impressora 3D pode ser gratuito – como o MESHMIXER, por exemplo, mais comumente utilizado para editar modelos.  Hoje elas são muito utilizadas para produzir os modelos, que antes eram feitos em gesso. Neste caso, após a edição, é preciso pedir à impressora que realize a impressão no respectivo material específico, filamento ou resina própria para esta finalidade”, explica Aranha.

O que melhora e muito a produtividade nos laboratórios de prótese. Sem contar que peças como as placas de bruxismo podem ser feitas com impressão 3D, com resinas  especiais e autorização da Anvisa para utilização direta em boca. Claudionor Aranha reforça o funcionamento deste fluxo e comenta: “em uma placa de bruxismo, por exemplo, o desenho da placa é feito utilizando o software de desenho (CAD). Aí é enviado o arquivo para ser confeccionado na impressora, ela tem um dispositivo de recepção de desenhos também. É só uma questão de canal de comunicação”, complementa.

Restrições legais do uso do Scanner intra-oral

Por fim, o scanner intraoral é uma tecnologia mais frequentemente voltada a cirurgiões dentista, pelo fato de haver restrições impostas pelo CFO (Conselho Federal de Odontologia), onde o manuseio desse aparelho deve ser realizado por profissionais habilitados: dentistas formados e técnicos em saúde bucal.

O Fluxo Digital

Com essas 3 ferramentas que citamos, Scanner Intra-oral, CAD-CAM e Impressora 3D, criamos  um fluxo  de trabalho totalmente digital. Ele começa com a realização da aquisição da imagem, feita por meio do scanner intra-oral, dentro de uma clínica odontológica. O arquivo (STL) dessa imagem é encaminhado para qualquer lugar que possua sistemas CAD-CAM. Estes laboratórios ou  Centrais de Planejamento e Fresagem  disponibilizam  softwares  necessários para fazer o desenho das próteses, que serão fresadas ou impressas, de acordo com a seleção e escolha dos materiais.

Dentro dessa central também entra a impressão 3D, que realiza coroas, copings em resina, placas de bruxismo e guias para cirurgias em resinas para instalação de implante guiado, já autorizadas para uso pela Anvisa.

Também é possível  realizar um  fluxo parcialmente digital. Nesse caso, o dentista envia o modelo em gesso para o laboratório de prótese dentária. Com o uso de um  scanner de bancada dentro do laboratório  é possível digitalizar este modelo –  função semelhante ao scanner  intraoral. Dessa forma, o fluxo de trabalho denomina-se  como parcialmente digital. A partir da digitalização do modelo de gesso no laboratório os passos seguem normalmente: planejamento (desenho ) da peça,  fresagem ou impressão 3D .

Como iniciar na odontologia digital? – Possibilidades

Além da opção de compra dos equipamentos e softwares citados acima, uma boa oportunidade de inserir essa conectividade dentro do seu trabalho na odontologia é aderir aos sistemas de locação. O mercado já se adaptou para oferecer opções atrativas a quem deseja iniciar no Fluxo Digital adquirindo os equipamentos necessários. Porém, talvez seja interessante incialmente você locar parte dessa necessidade, ou ainda terceirizar o serviço em alguma etapa do processo. Conheça abaixo essas opções.

Sistemas de locação

Em todas as etapas do processo há opções de locação do equipamento e serviços terceirizados para garantir que o seu laboratório entre no fluxo digital, acompanhando o mercado atual. Há a possibilidade, por exemplo, da locação do scanner intra-oral e captura da imagem, com a contratação de profissional especializado, no próprio consultório do cliente. Essa é uma estratégia que alguns laboratórios adotam para fidelização. Para aqueles que não querem se comprometer com a contratação de especialista na captura dos dados há empresas de radiologia que prestam esse serviço, assim como outras empresas que terceirizam outras fases desse processo de digitalização a preços convidativos. Como bem pontua Claudionor ao longo de toda a entrevista, o mercado está oferecendo possibilidades diversas para atender a todo tipo de empreendedor.

Dependendo do seu modelo de negócio pode ser mais indicado a compra de determinado equipamento e locação de outro. Ou contratação de serviço terceirizado em determinada etapa da digitalização. O fato é que quanto mais informação você tem, mais assertiva será a sua decisão.

O universo na  Odontologia  digital compreende Scanners Intra-Orais ou Scanner de bancada, Softweres e fresadoras  (CAD-CAM) e Impressoras 3D. Em investimentos iniciais que podem facilmente ultrapassar os 500 mil reais dependendo do objetivo do empreendedor. Por isso uma boa decisão depende do quão bem informado está o profissional/empresário em relação ao custo-benefício de seu investimento diante das inúmeras possibilidades de adesão das tecnologias que temos à disposição atualmente. (Claudionor Aranha)

Centrais de planejamento e fresagem

Para suprir essa necessidade de informação surgiram as Centrais de Planejamento e Fresagem. São empresas que prestam consultoria após a compreensão do planejamento do seu negócio. Com base nas informações e necessidades de cada empreendimento serão indicadas compras ou locações de equipamentos, assim como terceirização de parte dos processos, de acordo com as possibilidades do negócio de cada cliente. Por meio de contratos com investimento baixo é possível acordar a prestação de captação de imagens intra-orais nos consultórios dos clientes, impressão de modelos e placas em resinas, desenho dos projetos e fresagem dos trabalhos.

Dessa forma, eles (os profissionais) têm a oportunidade de, gradualmente, entender suas prioridades, além de ter uma ótima chance de ampliar os conhecimentos no mundo digital”, explica Claudionor.

A mesma Central de Planejamento pode auxiliar o profissional na hora da tomada de decisão, sem que ele precise investir numa impressora ou num scanner urgentemente. Por meio das parcerias, o profissional pode ter acesso aos softwares, à captura de imagens, às impressões e fresagens com um investimento de baixo custo nas parcerias.

Segundo Claudionor Aranha, dessa forma o profissional “poderá entender melhor o processo, através de uma assessoria e entender o melhor investimento de acordo com suas prioridades e demanda de mercado, pois cada opção pode interferir na qualidade do produto confeccionado. Então nada melhor do que essas pessoas primeiro terem acesso à essas informações, já que as decisões precisam ser assertivas para não haver desilusões”.

Em resumo, o que sabemos é que a tecnologia no mundo da odontologia veio realmente para ficar. E com isso, é preciso ter entendimento para acertar cada vez mais e errar cada vez menos.

O trabalho técnico no processo digital

Você já leu bastante sobre tecnologia e pode se perguntar como fica o trabalho técnico com todo esse processo digital. Pensando nisso, antes de finalizar a entrevista Claudionor fez questão de frisar a importância do trabalho técnico na confecção de próteses dentárias.

Eu preciso ressaltar que essas máquinas fresam os trabalhos, mas ainda é necessário o trabalho de refinamento do técnico.

Um técnico capacitado que vai providenciar o refinamento, a concordância da cor com a escala solicitada. Ou vai fazer uma estrutura onde será aplicada a cerâmica por um técnico especializado. Ou seja, as máquinas não têm a capacidade ainda de realizar um trabalho que esteja totalmente pronto para a aplicação na cavidade oral. Em alguns casos isso pode até ser possível, mas ainda vai precisar de um polimento, um glaze, para deixar essa peça mais natural. No caso da impressora, então, ela tem funcionado mais como suporte e apoio nos procedimentos. Modelos e troqueis de gesso são bem substituídos com a impressão 3D para melhorar a produtividade. A checagem de adaptação das peças, a oclusão com o modelo superior e inferior. Mas quanto à impressão de peças ela ainda não está nesse estágio. Se você for imprimir uma coroa em resina, por exemplo, ela precisará passar por um processo depois. Ou você pega essa coroa e coloca no forno para derreter a resina e injetar a cerâmica. Ou faz a coroa em resina, coloca no forno, derrete a resina e injeta um metal para copiar. As únicas coisas que saem um pouco mais adiantadas são as placas de bruxismo e as guias para cirurgias guiadas. Ainda assim, na placa de bruxismo você vai ter que dar um acabamento, um polimento, enfim, sempre vai precisar do trabalho do técnico. Compreende?! (Claudionor Aranha)

Perfeitamente! E você, entendeu também?! A tecnologia veio melhorar essa integração clínica-laboratorial, permitir maior tempo investido em aprimoramento das peças protéticas e refinamentos para a entrega com um ajuste mais perfeito em boca. Ou seja, o trabalho do técnico está aprimorando juntamente com as possibilidades advindas das tecnologias. Foque nisso. Busque informação. Aprimore sempre sua qualidade técnica. Porque o mercado continua precisando de você, técnico(a) com prótese dentária comprometido(a) com a qualidade do seu serviço. Porque uma coisa é certa: tanta informação faz o nível de exigência aumentar. Então, vamos estudar?!

Na sede da APDESPbr teremos 3 cursos que tratam dos temas dessa matéria: Conectividade – odontologia digital, com Claudionor Aranha; EXOCAD Básico e MESHMIXER e MBUILDER – um curso básico sobre o software gratuito para impressoras, ambos com Rafael Aranha. Confira abaixo.

Oportunidade! | Aprenda sobre os processos de Conectividade na Odontologia Digital

Tem interesse em ingressar o universo digital no seu laboratório? Ou deseja estar apto a trabalhar em um mercado que se renova todos os dias? Então se liga nessas oportunidades em nossa sede.  Claudionor Aranha ministrará o curso Conectividade – Odontologia digital. Nele a turma formada por técnicos em prótese dentária, cirurgiões-dentistas e técnicos em saúde bucal poderão entender sobre a realidade e a usabilidade dos scanners intra-orais, sistemas Cad/Cam e impressão 3D. Os alunos irão aprender sobre softwares de desenhos, impressões e fresagens, com atividades práticas. Realizarão escaneamentos em modelos e bocas, e ainda aprenderão a manusear a impressora 3D.

Em EXOCAD Básico os alunos terão contato com a fase de planejamento das peças em software de desenho, o processo que antecede a fresagem das próteses. Em MESHMIXER e MBUILDER o mesmo público, porém com o básico em CAD aprenderá a utilizar o software para planejar os modelos e troqueis que serão impressos em impressoras 3D. Aprenderão a usualidade dos dispositivos, principalmente do software para desenho gratuito para quem quer trabalhar com impressão 3D.

Onde: a sede da APDESPbr fica na Av. Brigadeiro Luis Antônio, 2050, 13º andar. Próxima ao metrô Brigadeiro, na Av. Paulista. Acesse a página de cursos para mais informações.

 

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Redação Canal da Prótrese

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