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Um dos mais temidos distúrbios do sono geram ampla demanda nos laboratórios de prótese

Apesar de muitas vezes ser visto como um incômodo, e não como um problema sério, o ronco pode afetar significativamente a saúde de uma pessoa. Mais que o sentimento de constrangimento e os possíveis problemas conjugais, roncar também pode levar à apneia do sono, um distúrbio que precisa de atenção. Em laboratórios de prótese dentária, a busca pela confecção de dispositivos de apneia e ronco cresce cada vez mais, conforme crescem os estudos científicos a respeito deste tratamento.

Nesta matéria, vamos entender quais características precisam ser analisadas para um tratamento com as placas de ronco. Além disso, veremos como funciona este procedimento para pacientes desdentados ou que usam prótese dentária, e como o tpd pode garantir um resultado eficaz.

Este tema foi abordado pelo técnico em prótese dentária Rodrigo Corsi, em uma aula ao vivo transmitida para sócios da APDESPBR. Apresentando os riscos do ronco e os diferentes modelos de placa para o tratamento, Rodrigo também fez observações importantes referente à análise dos casos do paciente antes da confecção das placas.

 

A evolução do ronco para a apneia obstrutiva

O ronco atinge cerca de um quarto da população, sendo mais comum entre homens de 20 a 60 anos e mulheres acima de 50, principalmente que estejam acima do peso. Para entender como funciona a evolução de ronco para apneia obstrutiva, precisamos compreender como ele é causado. 

De acordo com a Academia Americana de Doenças do Sono (AASD), o ronco acontece “quando os tecidos moles das estruturas das vias aéreas superiores colapsam sobre elas mesmas e vibram umas contra as outras quando tentamos movimentar o ar através delas”. Ou seja, o ronco é causado pela dificuldade da passagem de ar por essas vias.

É também por esse motivo que o ronco é comum em pacientes acima do peso, conforme explica Rodrigo:

 

“Quando engordamos, os tecidos da garganta e da língua aumentam, o que diminui o espaço da passagem de ar. Isso pode causar ou ampliar a possibilidade de o paciente ter ronco.” (Rodrigo Corsi)

Apesar disso, emagrecer não significa que o problema será totalmente resolvido, porque, de acordo com Rodrigo, assim como há um excesso de pele quando emagrecemos, o mesmo acontece com os tecidos da garganta. Portanto, o tratamento com as placas ainda é o mais indicado. Veja no quadro abaixo essa relação:

Relação do peso com distúrbios de apneia obstrutiva

Agora, por que o ronco pode ser um alerta para uma possível apneia obstrutiva? O tpd explica:

“Um paciente em estágio inicial começa com o ronco. Então, acontece uma evolução no quadro clínico e ele passa para uma apneia, e a apneia vai trazer consequências muito ruins para a saúde dele.” (Rodrigo Corsi)

Dentre estas consequências, podemos citar a dessaturação, o microdespertar (que dificulta que a pessoa alcance fases importantes do sono), o cansaço diurno, cochilos repentinos, olheiras e até paradas cardiorrespiratórias. Sendo assim, é preciso compreender que o ronco é um sinal para um problema maior, e é por esse motivo que não pode ser negligenciado.

A importância do tratamento individualizado e o impacto a longo prazo

Atualmente, apostar na confecção de dispositivos de apneia e ronco pode ser fundamental em laboratórios de prótese. De acordo com Rodrigo, existem mais de 80 modelos de placas de ronco e apneia. Desses dispositivos, o que mais costuma utilizar é o PLG, elaborado pelo Dr. Luiz Roberto Godolfim. O ideal é que o profissional conheça o máximo de modelos possíveis para entender qual funciona melhor para o paciente. Entretanto, o objetivo principal precisa ser o conforto e a funcionalidade.

Placa de ronco e apneia PLG
Dispositivo PLG, elaborado por Luiz Godolfim

O tpd explica que a teoria do Dr. Godolfim se encaixa neste objetivo e que, mesmo que o profissional não utilize o dispositivo PLG, é importante analisar essa opinião:

“A gente precisa trazer conforto fazendo uma adequada mudança de postura mandibular, respeitando a individualidade do paciente. A placa de ronco e apneia não pode ser algo geral, que serve para todos. Precisa ser individualizado para ter o melhor resultado com a menor sobrecarga sobre dentes e ATM.” (Rodrigo Corsi)

Portanto, isso significa que é importante pensar no longo prazo. Rodrigo explica que, com o tempo, haverá inevitavelmente uma resposta dentária e de ATM, e por isso, quanto mais o profissional entender sobre os dispositivos, mais ele poderá evitar uma maior sobrecarga nos dentes e ATM do paciente.

E o que precisa ser analisado para evitar essas sobrecargas e garantir um tratamento eficaz?

Como em qualquer trabalho realizado pelo tpd, a comunicação clínica-laboratorial é fundamental para o sucesso do tratamento. No caso da confecção de placas de ronco e apneia, não é diferente. As informações que precisam chegar até o laboratório envolvem pontos como: tipo facial, amplitude de protrusiva, simetria de protrusiva, tipo de protrusiva, sintomas articulares (como dores e estalos) e situação dentária/oclusal.

Pensando nisso, o que acontece no caso de pacientes desdentados? Rodrigo explica:

“Em teoria, pacientes desdentados não conseguem ter um tratamento com placa de ronco e apneia. É possível avaliar se a base tem uma boa retenção, e seria interessante fazer uma tentativa, mas não é certo que o resultado será positivo.” (Rodrigo Corsi)

Entretanto, o tpd explica que há uma possibilidade para pacientes que já usam prótese dentária:

“Se o paciente tiver uma prótese dentária bem cimentada, bem estruturada, pode ser que ele consiga receber o dispositivo por cima dessa peça.” (Rodrigo Corsi)

Então, é por isso que essa análise prévia é determinante em um tratamento eficaz. Todas essas características vão indicar o melhor dispositivo e, consequentemente, o melhor tratamento. Isso poderá evitar que as sobrecargas dentárias e de ATM sejam significativas.

A acessibilidade para a confecção de dispositivos de apneia e ronco em laboratórios de prótese

Segundo Rodrigo, além de ser eficaz no tratamento de ronco e apneia e não causar danos ao paciente, o modelo PLG é confortável e ainda proporciona uma maior facilidade na execução laboratorial. 

“É uma execução delicada, mas não é tão difícil, e isso é uma coisa interessante. Um dispositivo de ronco e apneia permeia por todos os laboratórios. Então, não é somente um profissional de ortodontia que está apto a fazer essa confecção.” (Rodrigo Corsi)

Portanto, a confecção de dispositivos de apneia e ronco em laboratórios de prótese pode ser uma alternativa para tpds que buscam conhecimento em áreas diferentes das que já atuam. Pois, contrariando o que muitos profissionais imaginam, é possível sim confeccionar esse dispositivo em laboratórios de próteses comuns, como os que confeccionam prótese fixa e prótese total. 

Além de ser possível, é uma área que tem previsão de aumento de demanda no mercado. Afinal, os casos de ronco são comuns e a visibilidade para o problema está aumentando cada vez mais. Nesta outra matéria do Canal da Prótese, mostramos um pouco mais sobre esse universo da confecção das placas de ronco, acesse!

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Redação Canal da Prótrese

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